O jornal oficial cubano Granma publicou nesta segunda-feira uma declaração do presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, na qual o líder cubano afirma que a ilha “não representa uma ameaça” para os Estados Unidos, mas ressalta que o país “tem o direito absoluto e legítimo de se defender” diante de qualquer agressão militar.
Segundo o Granma, Díaz-Canel afirmou que as ameaças de ação militar contra Cuba por parte da “maior potência mundial” são conhecidas há décadas e classificou esse tipo de pressão como “um crime internacional”. O presidente cubano declarou ainda que uma eventual ofensiva militar provocaria “um banho de sangue” e teria consequências imprevisíveis para a paz e a estabilidade regional.
Na mensagem divulgada em suas redes sociais e reproduzida pelo jornal cubano, Díaz-Canel insistiu que Havana não possui planos agressivos contra qualquer país e afirmou que o próprio governo norte-americano, especialmente seus órgãos de defesa e inteligência, sabe que Cuba nunca planejou ações militares contra os EUA.
O presidente cubano também destacou que o país já enfrenta uma “agressão multidimensional” promovida por Washington, citando sanções econômicas, restrições comerciais e pressão diplomática. Segundo ele, o direito de defesa de Cuba não pode ser usado como justificativa para uma eventual guerra contra o povo cubano.
O texto do Granma relaciona a declaração ao aumento das tensões entre Havana e Washington nos últimos meses. O governo cubano acusa os Estados Unidos de intensificarem medidas coercitivas após a Casa Branca declarar, em janeiro, “estado de emergência nacional” diante da suposta ameaça representada por Cuba à segurança regional.
Ainda segundo o jornal, Washington acusa Havana de manter relações estratégicas com países considerados hostis aos EUA e de permitir presença militar russa e chinesa em território cubano. O governo cubano rejeita essas acusações e afirma que os argumentos estão sendo usados para justificar o endurecimento do bloqueio econômico.
A reportagem também destaca que, em 1º de maio, os EUA anunciaram novas medidas que ampliariam o alcance extraterritorial das sanções contra Cuba. De acordo com o governo cubano, as novas regras permitem punições a bancos estrangeiros, empresas e instituições internacionais que mantenham relações comerciais com setores estratégicos da economia cubana, como energia, mineração, defesa e serviços financeiros.
O chanceler cubano, Bruno Rodríguez Parrilla, afirmou ao Granma que os Estados Unidos estariam construindo “um caso fraudulento” para justificar tanto a intensificação da guerra econômica quanto uma possível agressão militar futura.
O jornal cubano sustenta que as medidas norte-americanas fazem parte de uma política histórica de pressão sobre a ilha e reforça o discurso do governo de que Cuba busca preservar sua soberania diante das sanções e do isolamento econômico impostos por Washington.


