Brasília, 09/03/2026

Morales reconhece derrota da esquerda na Bolívia

O ex-presidente boliviano Evo Morales reconheceu na segunda-feira os resultados das eleições gerais, nas quais os candidatos da oposição Rodrigo Paz Pereira e o ex-presidente Jorge “Tuto” Quiroga se enfrentarão no segundo turno, dizendo que é “um voto de punição pela traição”.

“Respeito os resultados. Somos um movimento político democrático. Fomos votar, não eleger. Devemos reconhecer humildemente os resultados”, disse Morales (2006-2019) em declarações à rádio Kawsachun Coca, dedicada à produção de coca, as primeiras desde a confirmação dos resultados preliminares das eleições gerais de domingo.

“Quem trai e rouba, perde”

O ex-presidente afirmou que “este resultado é um voto de punição à traição e à corrupção”.

Ele se referiu à candidatura do presidente do Senado, Andrónico Rodríguez, considerado seu sucessor, e à nomeação de Eduardo del Castillo pelo partido governista Movimento ao Socialismo, partido que liderou por quase 30 anos.

“Isto é para as novas gerações: se quiserem se envolver na política, quem trai perde e quem rouba perde”, disse Morales. Ele questionou as candidaturas de Rodríguez e Del Castillo.

Morales também disse que os resultados, que colocaram o centrista Paz Pereira em primeiro lugar com mais de 30%, também são um “voto de punição à privatização e à perseguição”.

Dessa forma, ele fez alusão ao ex-presidente Quiroga (2001-2022), que ficou em segundo lugar com quase 27% dos votos, ao empresário Samuel Doria Medina, do Libre, que ficou em terceiro, e ao prefeito de Cochabamba, Manfred Reyes Villa, que “concentrou sua campanha na captura de Evo”.

O mandado de prisão contra Evo Morales ainda está em vigor.

A justiça boliviana mantém um mandado de prisão contra Evo Morales em um caso de tráfico de pessoas agravado, decorrente de seu suposto relacionamento com uma menor de idade, com quem teve um filho enquanto era presidente em 2016. A polícia não consegue executar o mandado desde o final de 2024.

Por isso, o ex-chefe de Estado não sai do Trópico de Cochabamba desde outubro. Este é seu principal reduto político e sindical, enquanto permanece sob custódia de centenas de seus apoiadores.

Morales e seus apoiadores pressionaram pelo voto nulo para protestar contra sua inelegibilidade como candidato, devido à sua incapacidade de se consolidar como partido após renunciar ao MAS. Uma decisão constitucional também estabeleceu que o ex-presidente não poderia concorrer à presidência após ter governado a Bolívia três vezes.

Ele destacou o número de votos nulos e em branco, que, segundo ele, juntos o colocam em segundo lugar nas pesquisas. Se a “abstenção” fosse levada em conta, o voto superaria o de Paz.

“Ainda há um longo caminho a percorrer. Com o voto rural, o número de votos nulos continuará crescendo. O voto nulo está em terceiro lugar. Mas com o voto em branco, está em segundo lugar. Se somarmos o absenteísmo, os votos nulos e em branco estão em primeiro lugar”, opinou.

De acordo com o Sistema de Resultados Eleitorais Preliminares, Paz Pereira, do Partido Democrata Cristão, ficou em primeiro lugar. Ela obteve 32,14% dos votos válidos, após 95,41% dos votos serem apurados.

O ex-presidente Quiroga, candidato da Aliança Livre, recebeu 26,81% dos votos, então um segundo turno é esperado entre os dois candidatos em 19 de outubro.

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