Hugo Motta (Republicanos-PB) resolveu se insurgir abertamente contra o governo do presidente Lula (PT) e foi ao seu perfil oficial no X (antigo Twitter), na tarde desta quarta-feira (19), para fazer ataques graves e sérios ao Planalto, ainda que sem citá-lo diretamente. Informações da revista Fórum.
A atitude descompensada do presidente da Câmara dos Deputados vem no dia seguinte à aprovação por 370 votos a 110 do PL Antifacção, redigido pelo governo, mas que foi completamente alterado e descaracterizado pelo deputado bolsonarista Guilherme Derrite (PP-SP), nomeado pelo próprio Motta como relator da matéria, que desde o primeiro momento se mobilizou para enfraquecer a Polícia Federal no âmbito de investigações contra o crime organizado.
Na postagem, Motta, que só vive cercado por bolsonaristas e outras peças do setor mais reacionário do Congresso, notórios por divulgarem fake news em escala industrial, resolvou atacar o governo Lula justamente o acusando de “espalhar desinformação”. A revolta do parlamentar que chefia a Casa se deve à reação enérgica do Executivo federal, que está denunciando a manobra dele e de Derrite para tirar autonomia operacional e financeira da PF, o que resultará num fortalecimento das organizações criminosas.
“Não se pode desinformar a população, que é alvo diariamente do crime, com inverdades. É muito grave que se tente distorcer os efeitos de um Marco Legal de Combate ao Crime Organizado cuja finalidade é reforçar a capacidade do Estado na segurança pública. Não vamos enfrentar a violência das ruas com falsas narrativas. Precisamos estar unidos neste momento. O governo optou pelo caminho errado ao não compor essa corrente de união para combater a criminalidade. Repito: segurança não pode ser refém de falsas narrativas”, escreveu Hugo Mota em seu perfil.
Derrota do Brasil
A versão do PL Antifacção aprovada nesta terça-feira pela Câmara dos Deputados, com relatório de Guilherme Derrite, tem causado preocupação na Polícia Federal. A corporação avalia que o texto retira fontes de financiamento e reduz sua capacidade de atuação.
Em uma tentativa de retomar a redação defendida pelo Executivo, o PT chegou a apresentar um destaque para reverter o dispositivo. A proposta, porém, foi rejeitada.
Embora Guilherme Derrite tenha acolhido a demanda para reforçar o Fundo Nacional de Segurança Pública, o relatório aporovado preserva a regra de partilha quando há operações feitas em conjunto por autoridades federais e estaduais. Para o governo, essa formulação continua a restringir verbas consideradas estratégicas.
Na terça-feira, momentos antes da provação do PL, a equipe do diretor-geral da PF, Andrei Passos Rodrigues, denunciou a exclusão de outros fundos no texto, como o Fundo para Aparelhamento e Operacionalização das Atividades-fim da Polícia Federal (Funapol), o Fundo Penitenciário Nacional (Funpen) e o Fundo Nacional Antidrogas (Funad).
O ponto central da crítica é a forma como os bens apreendidos serão destinados. O relatório determina que todo o dinheiro obtido em operações com participação da PF vá para o Fundo Nacional de Segurança Pública. Delegados afirmam que isso deixa de lado fundos que costumam financiar atividades da instituição.
A avaliação interna da PF é que a alteração mantém o esvaziamento financeiro que já aparecia nas versões anteriores do relatório. O Funapol, que chegou a ser citado em outra fase do texto, foi novamente excluído.

