Brasília, 27/10/2026

Netanyahu enfrenta teste nas urnas em Israel

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, enfrenta nesta terça-feira (27) uma eleição decisiva para sua permanência no poder, marcada pela cobrança sobre as falhas de segurança nos ataques de 7 de outubro de 2023. Seu principal adversário é o ex-chefe das Forças Armadas Gadi Eisenkot. Segundo a Reuters, as pesquisas apontam uma disputa apertada, sem caminho claro para uma maioria governista ou oposicionista.  

Os israelenses escolherão os integrantes das 120 cadeiras do Parlamento, o Knesset. Para formar uma maioria, são necessários 61 deputados. Como os votos são destinados a listas partidárias, a definição do próximo governo dependerá da distribuição das vagas e das alianças negociadas depois da apuração.

Netanyahu, de 77 anos, tenta transformar sua experiência e sua atuação militar em argumentos para continuar no cargo. Eisenkot, de 66, apresenta-se como alternativa ao desgaste do governo. Líder do partido Yashar, o ex-general perdeu um filho em combate na Faixa de Gaza e construiu uma candidatura apoiada em sua trajetória na área de segurança, conforme perfil publicado pela Reuters.  

A responsabilização pelo ataque do Hamas ocupa o centro da disputa. A oposição defende uma investigação oficial sobre as falhas que permitiram a ofensiva de 2023, enquanto Netanyahu resiste à iniciativa. De acordo com a Associated Press, seus adversários também questionam a capacidade do governo de transformar operações militares em resultados diplomáticos duradouros.

O primeiro-ministro conta com o apoio público do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Na reta final, destacou essa aliança e voltou a colocar o confronto com o Irã no debate eleitoral. A estratégia procura reforçar sua imagem como líder capaz de garantir a proteção do país, num momento de desgaste internacional e divisões internas.  

A oposição, entretanto, enfrenta suas próprias dificuldades. Além de Eisenkot, nomes como os ex-primeiros-ministros Naftali Bennett e Yair Lapid participam da disputa pela reorganização do poder. O objetivo de afastar Netanyahu aproxima essas lideranças, mas não elimina as divergências sobre a composição de uma futura coalizão.

Os partidos árabes poderão ter influência decisiva caso nenhum dos principais blocos alcance a maioria. A resistência de lideranças governistas e oposicionistas a uma parceria com essas legendas torna mais difícil a formação de governo. Segundo a Associated Press, o impasse pode prolongar as negociações e até provocar uma nova eleição.

Também pesam as divergências sobre as isenções do serviço militar para homens ultraortodoxos e as propostas de mudança no Judiciário. Essas questões aprofundaram a divisão entre setores religiosos e laicos e mobilizaram protestos contra o governo. Sua resolução exigirá acordos que a campanha, até agora, não demonstrou ser capaz de garantir.

Uma eventual derrota de Netanyahu tampouco assegura uma mudança profunda na política em relação aos palestinos. Eisenkot mantém posições duras na área de segurança e rejeita a criação de um Estado palestino sob um governo que lidere, embora critique a expansão dos assentamentos e a violência de colonos na Cisjordânia, conforme entrevista publicada pelo Le Monde.

A eleição decidirá a força parlamentar de cada partido, mas poderá deixar em aberto quem comandará Israel. Mesmo enfraquecido nas urnas, Netanyahu poderá permanecer à frente de um governo interino enquanto seus adversários tentam construir uma maioria. O teste decisivo será converter votos em uma coalizão capaz de governar.  

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