Lorenzo Santiago – Brasil de Fato | Caracas (Venezuela) |

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, enviou uma mensagem ao chefe do Executivo brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, nesta terça-feira (10) desejando uma rápida recuperação. O petista passará por um procedimento endovascular nesta quinta-feira (12) depois de um sangramento intracraniano decorrente do acidente doméstico que sofreu no dia 19 de outubro.
Segundo o médico Roberto Kalil, o procedimento desta quinta é “simples e de baixo risco”. O boletim médico divulgado nesta quarta (11) pelo Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo (SP), informou que o presidente passará por uma embolização da artéria meníngea média, que é a artéria responsável pela irrigação do nariz, olhos, couro cabeludo e da face.
A operação é complemento da cirurgia de emergência realizada na terça-feira (9) para drenar sangramento intracraniano. O procedimento já estava previsto diante da possibilidade de um novo sangramento. Mas, segundo Kalil, era necessário esperar pela evolução do paciente após a cirurgia para “bater o martelo”.
A situação médica do presidente é resultado do acidente doméstico que Lula sofreu em outubro, quando escorregou e caiu no Palácio da Alvorada. Na ocasião ele levou cinco pontos na cabeça. Duas semanas depois, Lula foi submetido a uma cirurgia de emergência para drenagem da hemorragia. O procedimento transcorreu sem complicações e o presidente se recupera na Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
Acidente e a relação com a Venezuela
O acidente impediu que Lula participasse da cúpula do Brics, realizada de 22 a 24 de outubro em Kazan, na Rússia. No encontro, o governo venezuelano esperava ser incorporado ao grupo na categoria de “Estado parceiro”, mas ficou de fora da lista de 13 novos integrantes por um veto do Brasil. A decisão do Itamaraty revoltou os venezuelanos.
O Ministério das Relações Exteriores venezuelano disse que a representação do Itamaraty no bloco manteve o veto que o ex-presidente Jair Bolsonaro aplicou durante anos ao país. Em nota, a chancelaria afirmou que a medida reproduz o “ódio, a exclusão e a intolerância” que foram promovidas contra os venezuelanos na última década a partir dos “grandes centros de poder”.
O motivo do veto não foi justificado publicamente pelo governo de Lula. O presidente não compareceu ao evento e enviou o chanceler, Mauro Vieira, para chefiar a delegação. Caracas afirma que a decisão foi uma “punhalada nas costas” e que a medida de “ingerência” do governo brasileiro é uma forma de interferir na política local.
Em audiência na Câmara dos Deputados, o assessor especial da presidência para assuntos Internacionais, Celso Amorim, também não explicou o veto no Brics e voltou a falar sobre as eleições no país vizinho. Ele reforçou que a questão envolvendo o pleito da Venezuela deve ser resolvida pelos venezuelanos e que o Brasil não reconhece a eleição do presidente Nicolás Maduro, até que sejam apresentados os resultados desagregados.
Em resposta à fala do assessor especial, o governo da Venezuela convocou o embaixador venezuelano no Brasil, Manuel Vadell, para consultas. Em nota, Caracas afirmou que a medida foi tomada depois das declarações “intervencionistas e grosseiras” de Amorim. A chancelaria venezuelana também convocou o encarregado de negócios do Brasil em Caracas para demonstrar “rechaço” às declarações de representantes do governo brasileiro em relação ao processo eleitoral do país.
A tensão entre os dois foi reduzida depois de Lula dizer, em 10 de novembro, que não questionaria a decisão da Suprema Corte de outros países para que essas críticas não respinguem no Brasil no futuro. O Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) da Venezuela validou o resultado das eleições de 28 de julho que tiveram a vitória de Nicolás Maduro com 51,97% dos votos contra 43,18% do opositor Edmundo González Urrutia.
Maduro elogiou a declaração do brasileiro e afirmou que a fala foi uma reflexão “sábia” do petista: “Ponto a favor de Lula”.


