Nísia Trindade não é mais ministra da Saúde. A informação foi divulgada pela imprensa no final da tarde desta terça-feira (25) e confirmada por uma nota do Palácio do Planalto. A demissão aconteceu após o anúncio da adoção pelo Sistema Único de Saúde (SUS) da vacina do Instituto Butantan contra a dengue a partir de 2026. A pasta será comandada por Alexandre Padilha, que hoje ocupa a Secretaria de Relações Institucionais.
Padilha já chefiou a pasta, entre janeiro de 2011 e fevereiro de 2014, na gestão de Dilma Rousseff. Além disso, foi secretário municipal da Saúde de São Paulo e deputado federal.
A troca acontece no contexto de uma reforma ministerial que vem sendo desenhada por Lula nas últimas semanas. Para o lugar de Padilha nas Relações Institucionais, é cotado o nome do ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSD-MG).
Nísia Trindade deixa o ministério após uma gestão que atuou na reconstrução do setor, um dos que mais sofreu com o desmonte promovido pela gestão de Jair Bolsonaro (PL) e com a definição do teto de gastos de Michel Temer (PMDB).
Entre 2018 e 2020, o Sistema Único de Saúde perdeu R$ 70 bilhões de reais com a regra fiscal do ex-vice-presidente, que gestou o golpe contra Dilma Rousseff em 2016.
Com Bolsonaro, o setor só teve aumento de verba por causa das despesas extraordinárias com a pandemia da covid-19, em 2020. Mas já no segundo ano da emergência sanitária, os valores voltaram aos montantes dos anos de aperto do teto de gastos.
Nísia também recebeu um SUS desestruturado pela falta de dados a respeito da situação real da saúde brasileira.
A escolha do nome da pesquisadora para ocupar o principal cargo do Ministério levou em conta a experiência dela na presidência da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) ao longo da pandemia, período em que a instituição se tornou referência na pesquisa e no levantamento e divulgação de informações.
Além disso, a chegada de Trindade à pasta representou um marco histórico, já que pela primeira vez a pasta foi comandada por uma mulher. Com ela, voltaram a fazer a parte do cotidiano brasileiro ações como o Mais Médicos, o Farmácia Popular e as campanhas para que o Brasil retome o protagonismo global na vacinação.
A agora ex-ministra criou mais de 4,7 mil novas equipes de saúde família até o ano passado e retomou as visitas domiciliares, política de inclusão e atenção primária. Ela também reforçou o atendimento de populações indígenas, quilombolas e ribeirinhas.
Durante a passagem de Nísia Trindade pelo Ministério, o programa Farmácia Popular passou a oferecer todos os medicamentos de sua lista gratuitamente, medida que beneficia diretamente milhões de pessoas e é válida em todo o território nacional.
O Ministério da Saúde também conseguiu contornar o negacionismo e o movimento antivacina e aumentou a cobertura vacinal de 15 das 16 vacinas do calendário infantil.
Nas últimas semanas de sua gestão, Trindade anunciou a reabertura do edital do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC) para o Complexo Econômico Industrial da Saúde (Ceis), com um investimento de R$ 1,7 bilhão.
Além disso, os primeiros meses do ano já mostram que o Ministério da Saúde conseguiu, junto com estados e municípios, reverter os trágicos números recorde da dengue no ano passado. Os dados iniciais mostram uma queda de 60% nos casos.
Sobre Padilha
Alexandre Padilha assume com um histórico igualmente importante para a saúde pública brasileira. Na gestão dele frente ao Ministério foi criado o Programa Mais Médicos, que deu um passo essencial no combate a falta de profissionais em regiões remotas e periferias.
Em menos de seis meses, o projeto levou mais de 13,8 mil profissionais para áreas historicamente desassistidas.
Padilha também ampliou o Farmácia Popular, que saiu de 1,3 milhão de usuários e usuárias para 19,4 milhões. Durante seu período no Ministério, o Brasil implementou um novo modelo de parcerias público-privadas para estimular a produção nacional de medicamentos e equipamentos hospitalares. (BdF)