Brasília, 29/06/2026

No Peru, Keiko Fujimori está virtualmente eleita…

A candidata de direita Keiko Fujimori afirmou nesta segunda-feira (29) que o Peru está “mais perto de iniciar um caminho de ordem e esperança”, em sua primeira manifestação pública após o encerramento da apuração dos votos do segundo turno das eleições presidenciais. Em mensagem divulgada nas redes sociais, ela declarou que aguarda “com humildade” a proclamação oficial do resultado pelo Jurado Nacional de Elecciones (JNE).

Com 100% das urnas apuradas pela Oficina Nacional de Procesos Electorales (ONPE), Keiko recebeu 9.223.396 votos, o equivalente a 50,135% do total, enquanto o candidato de esquerda Roberto Sánchez obteve 9.173.755 votos, ou 49,865%. A diferença de apenas 49.641 votos confirmou uma das disputas presidenciais mais acirradas da história recente do Peru.

Apesar do encerramento da contagem dos votos, a vitória ainda depende da proclamação oficial do JNE, prevista para ocorrer até a próxima sexta-feira (3). Roberto Sánchez voltou a contestar o resultado, alegando supostas irregularidades na votação realizada por peruanos no exterior e convocando manifestações de seus apoiadores. Especialistas em direito eleitoral ouvidos pela imprensa peruana avaliam, no entanto, que os recursos apresentados não possuem fundamento jurídico suficiente para alterar o resultado da eleição.

Em discurso realizado na última semana, quando sua vantagem já era considerada irreversível, Keiko Fujimori reconheceu a forte divisão política do país e prometeu trabalhar pela reunificação nacional. “Estamos cientes de que o Peru está dividido, praticamente partido ao meio”, afirmou a candidata.

A eleição encerra um período marcado por intensa instabilidade política. Nos últimos anos, o Peru enfrentou sucessivas crises institucionais, com a troca constante de presidentes, processos de impeachment, renúncias e investigações por corrupção. O ex-presidente Pedro Castillo foi preso após tentar dissolver o Congresso e decretar estado de exceção, sendo substituído por Dina Boluarte. Depois vieram José Jeri e José María Balcázar Zelada, ambos interinos, em meio a novas crises políticas, deixando o país com dez presidentes em aproximadamente uma década.

Caso sua vitória seja oficializada pelo JNE, Keiko Fujimori tomará posse em 28 de julho, data em que o Peru celebra sua independência. A futura presidente deverá assumir o governo com o compromisso de restaurar a estabilidade política, fortalecer o combate à criminalidade, recuperar a economia e restabelecer a confiança nas instituições democráticas.

Analistas avaliam que o retorno do fujimorismo ao Palácio de Governo representa uma mudança importante no cenário político peruano, embora a nova presidente tenha o desafio de governar um país profundamente polarizado e sem maioria absoluta no Congresso, o que exigirá negociações para aprovar reformas e garantir a governabilidade. Observadores internacionais que acompanharam o processo eleitoral consideraram a votação regular e, até o momento, não foram apresentadas provas capazes de sustentar as denúncias de fraude feitas pela oposição.

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