Brasília, 07/03/2026

Pelo menos 55 soldados cubanos e venezuelanos foram mortos em operação contra Maduro

Os Estados Unidos mataram pelo menos 55 militares cubanos e venezuelanos durante os ataques que levaram à captura do presidente deposto Nicolás Maduro em Caracas, segundo dados de ambos os países atualizados nesta terça-feira.

A Venezuela tem mantido silêncio sobre o número de mortos na operação ordenada por Donald Trump, e até o momento não há um balanço oficial venezuelano completo.

Havana divulgou na terça-feira uma lista com os nomes dos 32 militares cubanos que morreram em Caracas.

No dia anterior, o Exército venezuelano publicou obituários para 23 militares mortos em combate, embora se presuma que o número de mortos seja maior.

O número de mortos civis também é desconhecido. A AFP confirmou a morte de uma mulher de 80 anos nos bombardeios. Uma rede de médicos na Venezuela estima um total de 70 mortos e 90 feridos.

Maduro foi preso junto com sua esposa, Cilia Flores, no sábado, para responder a acusações nos Estados Unidos por tráfico de drogas e outros crimes.

Delcy Rodríguez assumiu o poder interinamente. Ela era sua vice-presidente e a primeira na linha de sucessão.

Ela tomou posse perante o Parlamento na segunda-feira, quase ao mesmo tempo em que Maduro se declarou “inocente” perante um juiz de Nova Iorque.

Rodríguez governa sob enorme pressão para atender às demandas energéticas dos Estados Unidos e para reorganizar o chavismo sem Maduro.

“O principal objetivo é ganhar tempo para consolidar o realinhamento e aproveitar o fato de que as exigências e condições de Washington estão focadas na questão do petróleo, que também levará algum tempo para ser finalizada”, disse o analista político Mariano de Alba.

“Dormir com um olho aberto”

O chavismo realizou uma “marcha de mulheres” na terça-feira para exigir a libertação de Maduro e Flores. O grupo vem convocando manifestações diárias desde sábado.

Centenas de ativistas participaram dos protestos. O Ministro do Interior, Diosdado Cabello, uma figura poderosa no governo, marchou com a multidão ao longo de uma importante avenida de Caracas.

“Aqueles que riem da própria desgraça hoje, aqueles que dizem que Nicolás foi levado e que a revolução vai fracassar, não conhecem este povo”, disse Cabello de um palanque antes de começar a marcha.

Cabello permanece em seu cargo no novo governo, assim como Vladimir Padrino, Ministro da Defesa.

“Delcy deveria estar dormindo com um olho aberto agora”, disse à AFP o ex-diplomata americano Brian Naranjo, que foi o número dois na embaixada de seu país na Venezuela entre 2014 e 2018, antes de ser expulso por Maduro.

“Atrás dela estão dois homens que ficariam mais do que felizes em cortar-lhe a garganta e assumir o controle”, acrescentou, referindo-se a Cabello e Padrino.

De Alba, no entanto, estimou que “apesar das diferenças internas, o chavismo internalizou que somente através de uma aparente coesão pode se perpetuar no poder”.

“Julgamento justo”

A ONU expressou sua preocupação com a operação ordenada pelo presidente Donald Trump e alertou que ela “mina um princípio fundamental do direito internacional”.

A presidente mexicana Claudia Sheinbaum pediu um “julgamento justo” para Maduro, enquanto o primeiro-ministro francês Sébastien Lecornu denunciou a operação americana como “ilegal”.

Maduro alegou ser um “prisioneiro de guerra” ao se declarar inocente. “Sou um homem decente, ainda sou o presidente do meu país”, afirmou na audiência, antes de ser interrompido pelo juiz.

Trump já alertou que, se Rodríguez “não fizer a coisa certa, vai pagar um preço muito alto, provavelmente maior do que o de Maduro”.

Rodríguez enviou uma carta inicial a Trump na qual defende uma relação equilibrada e respeitosa.

Agenda eleitoral

Um general aposentado que ocupou altos cargos nas Forças Armadas acredita que Rodríguez abrirá as portas do país para as empresas petrolíferas e de mineração americanas. Ele não descarta a retomada das relações diplomáticas, rompidas em 2019.

E, paralelamente, “de forma acessória”, promoverá “uma agenda político-eleitoral”, que inclui a libertação de políticos presos.

“A repressão continuará sendo um elemento central para garantir a continuidade do chavismo, embora também possamos ver algumas liberações parciais para tentar descomprimir e abrir novos canais de negociação”, estimou De Alba.

Quatorze jornalistas, quase todos de veículos de comunicação internacionais, foram detidos em Caracas durante a sessão de abertura do Parlamento, informou o sindicato da imprensa nesta terça-feira. Outros dois jornalistas foram detidos na fronteira com a Colômbia. Todos foram liberados, segundo o sindicato, que também informou que um jornalista foi deportado.

A repressão política não pode ser tolerada na Venezuela, declarou o secretário-geral da OEA, Albert Ramdin, na terça-feira, em uma sessão extraordinária da Organização dos Estados Americanos.

Também está no horizonte o elemento eleitoral. A oposição não reconheceu a reeleição de Maduro em 2024 e exige que seu candidato, Edmundo González Urrutia, assuma o poder ao lado de María Corina Machado.

“Em eleições livres e justas, venceremos com mais de 90% dos votos, disso não tenho dúvidas”, disse a líder da oposição à Fox News, acrescentando que retornará ao seu país após sair da clandestinidade para viajar a Oslo e receber o Prêmio Nobel da Paz.

Mas Trump afirmou que Machado “não tem apoio nem respeito dentro do país” para governar.

O mandato interino de Rodríguez tem duração máxima de 180 dias, após os quais ele terá que convocar eleições.(El Nacional)

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