O Pentágono começou a divulgar nesta sexta-feira arquivos inéditos relacionados aos chamados Fenômenos Anômalos Não Identificados (UAPs), conhecidos popularmente como OVNIs, em uma iniciativa que promete ampliar a transparência sobre registros mantidos sob sigilo pelo governo dos Estados Unidos durante décadas. As informações foram divulgadas pela NBC News.
Segundo a reportagem, o material reúne mais de 160 arquivos com detalhes de cerca de 400 incidentes registrados em diferentes partes do mundo desde a década de 1940 até os dias atuais. Os documentos começaram a ser disponibilizados em um portal oficial criado pelo Departamento de Defesa dos EUA, que informou que novos arquivos serão acrescentados gradualmente ao sistema.
A divulgação ocorre semanas após o presidente Donald Trump afirmar publicamente que documentos “muito interessantes” sobre OVNIs seriam liberados em breve pelo governo americano. A iniciativa atende a uma pressão crescente de parlamentares, pesquisadores e setores da sociedade civil por mais transparência em relação aos registros militares envolvendo objetos voadores não identificados.
De acordo com a NBC News, os arquivos divulgados até o momento não apresentam provas de contatos extraterrestres nem evidências de que o governo americano tenha interagido com seres de outros planetas. Ainda assim, os documentos alimentam o interesse público por trazer relatos, vídeos, fotografias e depoimentos considerados intrigantes pelas autoridades americanas.
Grande parte do material consiste em imagens granuladas captadas por sensores infravermelhos das Forças Armadas dos EUA, além de fotografias de pontos luminosos e objetos de formatos incomuns registrados ao longo das últimas décadas.
Entre os casos revelados estão registros ligados às missões espaciais Apollo da NASA. Durante a missão Apollo 11 Moon Landing, em 1969, o astronauta Buzz Aldrin relatou ter visto “pequenos flashes” dentro da cabine enquanto tentava dormir. Em outro momento, descreveu uma luz intensa que inicialmente teria sido interpretada como um possível laser.
Na missão Apollo 12, o astronauta Alan Bean mencionou “flashes de luz” que pareciam “navegar pelo espaço”. Já durante a Apollo 17, a tripulação registrou partículas luminosas girando à distância. O astronauta Harrison Schmitt comparou o fenômeno a “fogos de artifício do Quatro de Julho”.
A reportagem também destaca que parte dos episódios investigados acabou recebendo explicações convencionais. Um caso ocorrido em 1948, sobre o espaço aéreo da Holanda, inicialmente tratado como objeto desconhecido, foi posteriormente identificado por oficiais de inteligência como um jato monomotor com assistência de foguete.
Outros episódios, no entanto, permanecem sem conclusão definitiva. Um dos registros envolve uma conversa do astronauta Frank Borman durante a missão Gemini 7, em 1965. Na comunicação com Houston, Borman relatou a presença de centenas de pequenas partículas se movendo próximas à cápsula espacial.
Os arquivos também incluem relatórios recentes da Força Aérea americana entre 2020 e 2025 sobre possíveis UAPs observados durante missões militares, embora muitos desses registros tragam poucos detalhes públicos sobre os objetos identificados.
Outro documento citado pela NBC News descreve um avistamento registrado em setembro de 2023 por operadores de drones em uma instalação de testes nos Estados Unidos. As testemunhas relataram ter visto um objeto metálico com luz branca intensa, sem asas ou escapamento, movendo-se rapidamente antes de desaparecer.
O Pentágono informou que alguns trechos dos documentos passaram por censura parcial para proteger identidades de testemunhas, informações sigilosas e detalhes de instalações militares americanas.
Em nota oficial citada pela NBC News, o governo afirmou que o objetivo da iniciativa é garantir “máxima transparência” sobre os registros envolvendo fenômenos aéreos não identificados. O comunicado também ressalta que muitos dos materiais divulgados ainda não passaram por análise técnica conclusiva.



