Brasília, 30/09/2026

Pentágono reforça ação contra interferência eleitoral

O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, ordenou que os órgãos de inteligência e defesa cibernética do Pentágono atuem contra possíveis interferências estrangeiras nas eleições legislativas de 3 de novembro. Assinado em 22 de setembro, o memorando foi divulgado na segunda-feira (28).

A determinação prevê o uso prioritário dos recursos do departamento para identificar ameaças externas e uma atuação coordenada com o Departamento de Segurança Interna diante de ataques virtuais. De acordo com o portal Axios, a operação também contará com ferramentas de inteligência artificial.

O documento não identifica países suspeitos de tentar interferir na votação. Hegseth sustenta que a vontade dos eleitores deve permanecer soberana, segura e livre de distorções.
O apoio militar à proteção digital das eleições já ocorreu em outros pleitos. Desde 2017, quando a infraestrutura eleitoral passou a ser considerada crítica, as Forças Armadas participam do monitoramento de ameaças. O Comando Cibernético dos Estados Unidos e a Agência de Segurança Nacional, a NSA, tiveram atribuições semelhantes em eleições anteriores.

O anúncio ocorre, entretanto, após cortes que reduziram a capacidade da CISA, agência civil encarregada da segurança cibernética eleitoral. À Associated Press, David Becker, diretor do Centro de Inovação e Pesquisa Eleitoral, questionou a eficácia de novas medidas anunciadas a poucas semanas do pleito, depois do enfraquecimento da estrutura federal responsável pela área.

A mobilização também acontece em meio à preocupação de democratas com um eventual emprego de forças de segurança nos locais de votação. Em maio, ao ser questionado sobre o envio de agentes de imigração ou integrantes da Guarda Nacional, Donald Trump afirmou que faria o necessário para garantir eleições honestas. Não houve, porém, anúncio de envio de tropas.

Em agosto, a senadora democrata Elissa Slotkin cobrou garantias de Hegseth e do chefe do Estado-Maior Conjunto, general Dan Caine. Em resposta, Caine informou que não existiam planos para deslocar tropas aos locais de votação nem apreender material eleitoral. O memorando divulgado na segunda-feira também não prevê essas ações.

Segundo o Axios, o temor tem como antecedente a eleição presidencial de 2020. Após a derrota de Trump, aliados propuseram utilizar dados de órgãos militares para investigar alegações de fraude. O então presidente também cogitou ordenar à Guarda Nacional a apreensão de máquinas de votação.

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