O Partido Liberal (PL) exibiu neste sábado (25), durante a convenção nacional que oficializou a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República, um vídeo gerado por inteligência artificial com a imagem e a voz do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A gravação foi apresentada dias após o Supremo Tribunal Federal (STF) ampliar as restrições de comunicação impostas ao ex-presidente, que cumpre prisão domiciliar. Informações do SBTNews.
Logo no início da mensagem, a versão criada por inteligência artificial faz questão de esclarecer que não se trata de uma gravação real. “Isso que vocês estão vendo aqui não sou eu. Isso é uma simulação da minha imagem e da minha voz feita com inteligência artificial”, diz o vídeo.
Na sequência, a mensagem atribui a prisão de Bolsonaro a uma decisão “injusta e arbitrária” e afirma que ele jamais praticou os atos pelos quais foi condenado. O vídeo também pede apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro.
“Nenhuma prisão vai calar milhões de brasileiros que acreditam no nosso país. Por isso, peço que recebam de braços abertos a pessoa que escolhi para me substituir, sangue do meu sangue, o meu filho Flávio. Vem com fé! O Brasil tem futuro. E o futuro é Flávio Bolsonaro presidente”, afirma a simulação.
Restrições impostas por Moraes
A exibição do vídeo ocorre um dia após a defesa de Jair Bolsonaro recorrer ao ministro Alexandre de Moraes, do STF, para tentar derrubar as restrições de comunicação impostas ao ex-presidente.
Os advogados contestam a decisão que proibiu Bolsonaro de receber visitas com finalidade política até o fim das eleições e de divulgar manifestações de conteúdo eleitoral, inclusive por intermédio de terceiros.
As restrições foram determinadas após o senador Flávio Bolsonaro ler, durante uma transmissão ao vivo no YouTube, uma carta escrita à mão pelo pai.
No documento, o ex-presidente o apresentava como seu “porta-voz” e fazia um apelo por pacificação na pré-campanha do PL. Depois do episódio, Moraes também proibiu Flávio de visitar Bolsonaro por 90 dias, impedindo qualquer contato entre os dois até o primeiro turno das eleições.
No recurso apresentado à Primeira Turma do STF, a defesa argumenta que a suspensão dos direitos políticos decorrente da condenação não elimina a liberdade de expressão e sustenta que impedir Bolsonaro de se manifestar politicamente configura censura prévia.
Os advogados citam como precedente o período em que o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) esteve preso durante as eleições de 2018, quando cartas do petista foram divulgadas publicamente e lideranças políticas puderam visitá-lo.
A defesa também havia solicitado autorização para que o presidente da Argentina, Javier Milei, visitasse Bolsonaro. O pedido, porém, não foi autorizado por Alexandre de Moraes, e o líder argentino participou apenas da convenção do PL e de compromissos com aliados do ex-presidente.