A disputa pelo governo de São Paulo está aberta. Mesmo com o favoritismo da reeleição de Tarcísio de Freitas (Republicanos), o PT entende que pode lançar uma candidatura competitiva e tem dois trunfos para isso: Geraldo Alckmin e Fernando Haddad.
Os dois nomes têm muito peso na política nacional. O primeiro é vice-presidente e ministro da Indústria, mas tem como principal diferencial a confiança do eleitor paulista por já ter vencido o cargo duas vezes.
Já Haddad é ministro da Fazenda e foi prefeito de São Paulo uma vez. O desejo do partido é que um dos dois assuma essa tarefa e dispute o cargo em 2026.
O presidente do PT, Edinho Silva, deixou transparecer essa ambição. Segundo ele, falta só uma conversa com cada um para definir quais são as vontades dos dois.
“Nosso campo terá um candidato para governo de São Paulo em 2026. Eu gostaria que fosse o Alckmin ou o Haddad, mas falta chamar para uma conversa e ver o que eles querem ser. O Alckmin tem toda a liberdade para decidir, teve uma gestão exitosa e leal. Se ele quiser ser vice, será. Se ele quiser ter outra missão, cumprirá. Assim como o Haddad”, afirmou em café da manhã com jornalistas nesta terça-feira (9).
Edinho afirmou que uma alternativa possível é o ministro do Empreendedorismo, Márcio França. Segundo ele, França é um nome forte no estado e pode disputar para ganhar. O Brasil de Fato esteve no encontro e perguntou ao presidente do PT sobre a estratégia adotada nos territórios. Edinho afirmou que o partido terá candidaturas onde é possível ganhar.
As pesquisas recentes, no entanto, ainda apresentam uma vantagem de Tarcísio. A Real Time Big Data, pesquisa divulgada na semana passada, indica o resultado mais apertado contra Alckmin até agora (45% a 26%). Contra Haddad, o atual governador tem uma vantagem maior (49% a 22%). O candidato que apareceu com pior desempenho foi Márcio França (50% a 15%).
O Senado também visto como opção especialmente para Haddad. Ele já é testado em pesquisas de opinião e tem tido resultados que garantem uma cadeira ao partido.
O Rio de Janeiro já está definido: o apoio será ao prefeito da capital, Eduardo Paes (PSD). Ele é visto como o candidato mais forte para ocupar o palácio da Guanabara e pode vencer a extrema direita no estado. Para o Senado, a aposta da sigla será na deputada Benedita da Silva.
Outro estado que preocupa o PT é Minas Gerais. Lula insistiu na candidatura do senador Rodrigo Pacheco (PSD), mas o congressista disse ter outros objetivos.
Alianças e lideranças regionais
Edinho afirmou que o partido respeita as lideranças regionais e vai trabalhar com a particularidade de cada estado para definir as estratégias. Por isso, o PT pode ter aliança com diferentes siglas a depender do contexto de cada disputa regional.
“Os partidos não são homogêneos nacionalmente. O MDB de cada estado é diferente, por exemplo. As alianças serão construídas com base nisso e respeitando as especificidades de cada território: quem são os nossos aliados”, afirmou.
O partido entende ter construído lideranças regionais que são fortes. Camilo Santana no Ceará, Jaques Wagner na Bahia, e Rafael Fonteles no Piauí são alguns dos nomes mencionados.
