A governadora Celina Leão (PP) lidera a disputa pelo Governo do Distrito Federal com 34% das intenções de voto e mantém vantagem de 14 pontos percentuais sobre o ex-governador José Roberto Arruda (PSD), que aparece com 20%. Os números são da pesquisa Quaest divulgada nesta terça-feira (25), encomendada pela Globo. Leandro Grass (PT) ocupa a terceira posição, com 13%, e tenta se aproximar de Arruda na disputa por uma vaga no segundo turno.
Paula Belmonte (PSDB) e Ricardo Cappelli (PSB) aparecem empatados, com 3% cada. Kiko Caputo (Novo) tem 2%, enquanto Professora Samara Mineiro (UP) registra 1%.
Elisson Ferreira (Agir), Professor Robson (PSTU), Expedito Mendonça (PCO) e Rico Pinheiro (PRTB) não pontuaram. Outros 10% afirmaram que pretendem votar em branco, anular ou não comparecer, e 14% permanecem indecisos.
O levantamento consolida Celina na liderança, mas mostra que a eleição ainda está distante de uma definição. Entre os entrevistados, 53% admitem que podem mudar de candidato até o primeiro turno, marcado para 4 de outubro. Apenas 47% consideram definitiva a escolha atual.
Comparação com a pesquisa anterior
A Quaest não havia realizado levantamento anterior sobre a disputa pelo Governo do Distrito Federal em 2026. Por isso, não é possível estabelecer uma série histórica do próprio instituto.
A comparação mais próxima pode ser feita com a pesquisa Real Time Big Data, divulgada em 19 de agosto. Naquele levantamento, Celina também tinha 34%, exatamente o mesmo percentual registrado agora pela Quaest.
Arruda aparecia com 22% e agora tem 20%, uma diferença de dois pontos. Leandro Grass, por sua vez, marcava 18% na Real Time Big Data e registra 13% na Quaest, cinco pontos a menos.
Como as pesquisas foram feitas por institutos diferentes, com metodologias, amostras e períodos de campo próprios, as variações não devem ser interpretadas automaticamente como crescimento ou queda efetiva dos candidatos. Os levantamentos retratam momentos distintos da campanha.
A diferença entre Celina e Arruda, que era de 12 pontos na Real Time Big Data, chega a 14 pontos na Quaest. A governadora, portanto, mantém uma liderança confortável nos dois estudos.
Espontânea revela eleitorado pouco decidido
Na pesquisa espontânea, quando os entrevistados não recebem uma lista com os nomes dos candidatos, Celina também lidera, mas aparece com apenas 15%.
Arruda é lembrado por 8% e Leandro Grass por 7%. Cappelli tem 2%, Paula Belmonte, 1%, e outros nomes somam 1%.
O dado mais expressivo é o percentual de eleitores que não souberam indicar espontaneamente um candidato: 63%. Outros 3% disseram que votariam em branco, anulariam ou não participariam da eleição.
O resultado mostra que, apesar da vantagem de Celina na pesquisa estimulada, a campanha ainda não está inteiramente consolidada na memória do eleitor. Arruda e Grass também apresentam índices espontâneos muito inferiores aos registrados quando seus nomes são apresentados.
Celina vence os adversários no segundo turno
A governadora aparece à frente nas duas simulações de segundo turno das quais participa.
Contra Arruda, Celina tem 42%, enquanto o ex-governador alcança 32%. A vantagem é de dez pontos percentuais. Outros 17% votariam em branco, anulariam ou não escolheriam nenhum dos dois, e 9% estão indecisos.
Na Real Time Big Data de 19 de agosto, Celina tinha os mesmos 42% contra 30% de Arruda. Na comparação apenas numérica, o ex-governador aparece agora dois pontos acima, mas continua atrás da candidata do PP.
Contra Leandro Grass, Celina amplia a vantagem: alcança 52%, diante de 24% do petista. Brancos, nulos ou eleitores que não escolheriam nenhum somam 16%, e os indecisos representam 8%.
Na pesquisa anterior da Real Time Big Data, o placar era de 51% para Celina e 32% para Grass. Novamente, por se tratar de institutos diferentes, os números não configuram uma tendência direta.
A Quaest também simulou uma disputa entre Arruda e Grass. Nesse cenário, o ex-governador venceria por 44% a 26%. Outros 19% não escolheriam nenhum dos dois, e 11% não souberam responder.
Os resultados indicam que, entre os três primeiros colocados, Celina apresenta a posição mais sólida. Além de liderar o primeiro turno, a governadora vence os dois adversários nas simulações seguintes.
Desejo de mudança desafia a governadora
Apesar da liderança eleitoral e da aprovação de seu governo, Celina enfrenta um aparente paradoxo: 51% dos eleitores dizem que o próximo governador precisa mudar totalmente a administração do Distrito Federal.
Outros 36% defendem a continuidade do que está funcionando, com mudanças apenas no que não está bom. Somente 11% querem a manutenção integral do trabalho realizado atualmente. Não souberam responder 2%.
O desejo de mudança completa, portanto, é maior do que a parcela que avalia negativamente o governo. Isso sugere uma insatisfação mais ampla com a situação do DF, que não necessariamente se transforma, até o momento, em voto nos candidatos de oposição.
Eleitor prefere governador independente
A pesquisa também revela que 42% dos entrevistados preferem eleger um governador independente do Palácio do Planalto.
Outros 29% querem um aliado de Flávio Bolsonaro, enquanto 25% preferem um governador alinhado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Não souberam responder 4%.
Os dados mostram que nenhum dos dois principais padrinhos nacionais consegue mobilizar sozinho a maioria do eleitorado do DF.
O apoio de Lula aumenta a possibilidade de voto para 21% dos entrevistados, mas diminui para 35%. Para 42%, o endosso do presidente não altera a escolha.
O efeito do apoio de Flávio Bolsonaro é semelhante. Ele aumenta a possibilidade de voto para 23%, reduz para 36% e não provoca mudança para 39%.
Nos dois casos, a parcela que considera o apoio prejudicial é superior à que o vê como vantagem. A independência em relação à polarização nacional aparece, assim, como um ativo importante na eleição distrital.
Saúde domina as preocupações
A saúde é apontada como o principal problema do Distrito Federal por 58% dos entrevistados — um percentual muito superior ao de qualquer outra área.
A corrupção aparece em segundo lugar, com 14%, seguida pela violência, com 10%. Educação recebe 3% das menções; economia e pobreza ou desigualdade, 2% cada.
Desemprego e infraestrutura são citados por 1% dos eleitores em cada caso. Outros temas somam 7%, e 2% não souberam responder.
A concentração das respostas na saúde indica que hospitais, filas, atendimento e oferta de serviços deverão ocupar posição central na campanha pelo Palácio do Buriti.
Arruda e Celina concentram as maiores rejeições
Arruda é o candidato com o maior índice de rejeição: 50% afirmam que o conhecem e não votariam nele. Outros 42% dizem conhecê-lo e admitem votar, enquanto somente 8% não sabem quem ele é.
Celina aparece logo depois, com rejeição de 44%. Ao mesmo tempo, possui o maior potencial de voto: 47% afirmam que a conhecem e poderiam votar nela. Apenas 9% não conhecem a governadora.
Os números ajudam a explicar por que Celina lidera, mas também mostram um possível limite para seu crescimento. Arruda enfrenta situação ainda mais difícil, pois metade do eleitorado descarta votar nele.
Leandro Grass tem rejeição de 29% e potencial de voto de 21%, mas ainda é desconhecido por 50% dos entrevistados. O petista possui espaço para crescer à medida que se torna mais conhecido, embora esse avanço também possa elevar sua rejeição.
Paula Belmonte é desconhecida por 55% dos eleitores. Entre os que sabem quem ela é, 17% admitem votar e 28% rejeitam sua candidatura.
Cappelli é desconhecido por 66%, tem potencial de voto de 11% e rejeição de 23%. Kiko Caputo não é conhecido por 80%, enquanto 6% poderiam votar nele e 14% o rejeitam.
Os demais candidatos apresentam níveis de desconhecimento entre 86% e 94%, o que demonstra a dificuldade para conquistar visibilidade na reta final da campanha.
Governo é aprovado, mas avaliação fica em 36%
A administração de Celina é aprovada por 54% dos eleitores e desaprovada por 32%. Outros 14% não souberam avaliar.
Quando os entrevistados são convidados a classificar o governo, entretanto, 36% o consideram positivo, 30% regular e 24% negativo. Outros 10% não responderam.
A diferença ocorre porque aprovação e avaliação são perguntas distintas. Um eleitor pode aprovar a administração, mas classificá-la apenas como regular, sem considerá-la boa ou ótima.
O conjunto dos dados coloca Celina como favorita, mas não garante uma eleição tranquila. A governadora lidera o primeiro turno, vence os adversários nas simulações seguintes e conta com aprovação majoritária. Em contrapartida, enfrenta rejeição de 44%, forte cobrança por mudanças e uma crise na saúde apontada como prioridade absoluta pelos eleitores.
Arruda permanece como principal adversário, mas carrega rejeição de 50% e está 14 pontos atrás. Grass aparece em terceiro, com espaço para crescer devido ao elevado desconhecimento, porém ainda precisa reduzir a distância para alcançar o segundo colocado.
A Quaest ouviu presencialmente 1.104 eleitores de 16 anos ou mais entre 21 e 24 de agosto. A margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número DF-06256/2026.

