O governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), e o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, se reúnem nesta terça-feira (24), em São Paulo, um dia depois de o governador do Paraná, Ratinho Junior (PSD), anunciar que desistiu de disputar a Presidência da República, segundo informação da CNN Brasil. O encontro ocorre num momento em que o partido tenta reorganizar seu projeto para 2026 após perder aquele que era visto, internamente, como seu nome mais competitivo para a corrida ao Palácio do Planalto.
A reunião dá peso político imediato a Caiado e reforça a leitura de que o governador goiano passou a ocupar posição central no tabuleiro do PSD. Com a saída de Ratinho, ele surge como o nome mais pronto para herdar o espaço aberto dentro da legenda, tanto pela disposição de sustentar uma candidatura própria quanto pela combinação entre experiência administrativa, base regional consolidada e presença mais nítida no campo da centro-direita.
No partido, a avaliação é que Caiado reúne atributos que ganharam valor justamente após a desistência de Ratinho. Ele tem identidade política clara, trânsito no agronegócio, recall eleitoral e uma postura mais assertiva, que pode ajudar o PSD a marcar posição num cenário ainda dominado pela polarização. Ao mesmo tempo, essa mesma nitidez ideológica pode virar obstáculo caso a legenda conclua que precisará de um nome mais flexível para ampliar alianças nacionais.
É nesse ponto que Eduardo Leite permanece como alternativa relevante. O governador gaúcho segue bem posicionado no debate interno por encarnar um perfil mais moderado, com boa interlocução no centro político e aceitação em setores do empresariado. Para uma parcela da cúpula, ele oferece ao PSD uma candidatura menos confrontacional e mais adequada à tradição pragmática do partido. O problema é que, até agora, Leite ainda não conseguiu transformar capital de bastidor em densidade eleitoral nacional comparável à exigida por uma disputa presidencial.
A equação do PSD, portanto, opõe dois ativos diferentes. Caiado parece mais forte no impulso político do momento e mais preparado para ocupar rapidamente o vácuo deixado por Ratinho. Leite, por sua vez, continua sendo visto como um nome competitivo para um projeto de centro mais moderado, embora ainda precise provar tração popular fora do Sul e dos círculos políticos em que já é bem aceito.
Nesse cenário, Romeu Zema aparece mais como variável externa do que como peça orgânica da disputa interna do PSD. Embora seu nome seja citado em articulações da centro-direita e ele siga relevante para 2026, o ex-governador de Minas se movimenta em trilha própria. Seu peso político interessa ao PSD no contexto mais amplo das alianças, mas, no momento, o funil real da legenda parece mais concentrado entre Caiado e Leite.
A reunião desta terça-feira, nesse contexto, tem valor que vai além da agenda formal. Ela indica que o PSD começou a acelerar sua reorganização e sugere que Caiado tenta transformar a desistência de Ratinho em oportunidade política imediata. O encontro também serve para medir até que ponto Kassab está disposto a empurrar o partido para uma candidatura com perfil mais nítido à direita ou se ainda prefere manter aberta a porta para uma solução mais centrista.
No fundo, o dilema do PSD continua o mesmo: encontrar um nome capaz de combinar estrutura partidária, viabilidade eleitoral e capacidade de romper a barreira da polarização. Hoje, Caiado parece largar na frente nesse novo arranjo. Leite continua no páreo como alternativa consistente. E Zema, embora relevante no tabuleiro, segue mais próximo de uma composição futura do que de uma disputa direta pelo posto de candidato da legenda.


