Brasília, 10/03/2026

Rússia acusa EUA de violar Direito do Mar após apreensão de navio petroleiro da Venezuela

Um navio petroleiro venezuelano que operava sob bandeira russa foi apreendido nesta quarta-feira (7) pelos Estados Unidos (EUA). A confirmação foi feita pelo Comando Europeu dos EUA, que acusou a embarcação de violar as sanções estadunidenses. A Rússia classificou a apreensão como uma violação da Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar.

“A apreensão está sendo realizada em cumprimento à ordem executiva do presidente dos EUA, que visa embarcações sujeitas a sanções americanas e que ameaçam a segurança e a estabilidade do Hemisfério Ocidental”, declarou o comando.

O petroleiro Marinera, antigamente conhecido como Bella 1, foi sancionado pelos EUA em 2024 como membro da “frota paralela russa”, também conhecida como “frota fantasma”, ou seja, navios petroleiros que operam sob registros e bandeiras diferentes para contornar as sanções e escoar o petróleo vendido.

A apreensão foi anunciada após uma perseguição de mais de duas semanas pelo Atlântico. Na última terça-feira (6), a Rússia havia enviado navios de guerra ao Atlântico para escoltá-lo. Ao ser confirmada a apreensão pelas forças dos EUA, o Ministério dos Transportes da Rússia se manifestou condenando o ataque à embarcação.

“De acordo com a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar de 1982, a liberdade de navegação se aplica em águas de alto-mar, e nenhum Estado tem o direito de usar a força contra embarcações devidamente registradas nas jurisdições de outros Estados”, disse o ministério russo em um comunicado.

Posteriormente, o Ministério das Relações Exteriores da Rússia também se pronunciou, exigindo que os Estados Unidos tratem os cidadãos russos a bordo do petroleiro com humanidade e dignidade. A Rússia pediu a Washington que não impeça o rápido retorno dos russos à sua pátria.

“O Ministério das Relações Exteriores da Rússia está acompanhando de perto os relatos da abordagem de forças americanas ao navio Mariner, de bandeira russa, no Atlântico Norte”, declarou o ministério, citado pela agência russa Tass.

O incidente acontece em meio aos ataques dos EUA à Venezuela, em 3 de janeiro, que resultaram em bombardeios em diversas regiões do país e no sequestro do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, pelas forças estadunidenses. A operação deixou ao menos 80 mortos, a maioria militares. Entre eles, 32 cubanos.

Na última terça-feira (6), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o governo da Venezuela teria firmado um suposto acordo para entregar entre 30 e 50 milhões de barris de petróleo ao país. Caracas, até o momento, não se pronunciou.

Trump afirmou que o petróleo venezuelano será vendido a preço de mercado e que o controle dos recursos ficará sob responsabilidade do governo estadunidense. Segundo ele, o objetivo seria garantir que o dinheiro seja usado “em benefício do povo da Venezuela e dos Estados Unidos”. (Brasil de Fato)

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