Brasil de Fato – A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, afirmou nesta terça-feira (13) que Moscou condena a interferência externa nos processos políticos internos do Irã, classificando-a como “subversiva”.
A declaração ocorre em meio a uma das maiores ondas de manifestações no Irã nas últimas décadas. Os protestos no Irã ocorrem desde 28 de dezembro. Inicialmente, foram desencadeados pela grave situação econômica e pela desvalorização da moeda nacional. As manifestações tornaram-se violentas a partir de 2 de janeiro, quando começaram os confrontos armados.
A porta-voz da chancelaria russa ressaltou a preocupação da intervenção externa, em particular dos EUA, na crise iraniana. De acordo com Zakharova, o governo iraniano está disposto a dialogar de forma construtiva para encontrar maneiras eficazes de neutralizar as consequências socioeconômicas negativas das políticas hostis ocidentais.
Além disso, a porta-voz considerou inaceitáveis as ameaças de ataques militares de Washington contra o território iraniano.
“Aqueles que planejam usar a agitação instigada por forças estrangeiras como pretexto para repetir a agressão contra o Irã cometida em junho de 2025 devem estar cientes das graves consequências de tais ações para a situação no Oriente Médio, bem como para a segurança internacional global”, declarou a diplomata.
Ela também expressou a opinião de que a pressão das sanções ocidentais sobre o Irã está prejudicando o desenvolvimento do país e criando problemas econômicos e sociais. Como resultado, forças hostis à república estão explorando as crescentes tensões sociais para desestabilizar e destruir o Estado.
Segundo Zakharova, Moscou mantém contato com as missões diplomáticas russas no Irã. O Ministério das Relações Exteriores os aconselhou a evitar locais com aglomeração e a não tirar fotos nem gravar vídeos.
Anteriormente, o secretário do Conselho de Segurança da Rússia, Serguei Shoigu, durante uma conversa telefônica com o secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, também condenou veementemente as tentativas de interferência externa nos assuntos internos da República Islâmica.
Entenda o contexto
Protestos no Irã eclodiram em Teerã em 28 de dezembro de 2025, quando comerciantes iniciaram os protestos devido à forte desvalorização da moeda nacional em relação às moedas estrangeiras e às crescentes dificuldades econômicas no país. Rapidamente os protestos se espalharam para diversas cidades do país.
Em 8 de janeiro, os protestos em Teerã se intensificaram drasticamente. Durante os distúrbios, manifestantes incendiaram e destruíram um número significativo de prédios, incluindo ônibus e ambulâncias, 24 prédios residenciais, 25 mesquitas, dois hospitais, 26 bancos e outros prédios governamentais e públicos.
Segundo a organização Human Rights Activists (HRANA), sediada nos Estados Unidos, ao menos 2.003 pessoas morreram durante os protestos no Irã até o momento.
Após a intensificação dos protestos, as autoridades iranianas impuseram uma restrição nacional ao acesso à internet. No entanto, nesta segunda-feira (12), o ministro das Relações Exteriores ministro iraniano, Abbas Araghchi, garantiu que a internet será restaurada no Irã em breve.
Anteriormente, o presidente dos EUA, Trump, afirmou que Washington estava monitorando os protestos no Irã e considerando várias opções. “Os militares estão investigando isso. E estamos considerando algumas opções muito sérias. Tomaremos uma decisão”, disse Trump.
Questionado sobre como os EUA responderiam caso o Irã atacasse bases militares americanas, Trump disse: “Atacaremos em uma escala nunca vista antes”.

