Brasília, 16/08/2026

Secretária alerta que medida dos EUA prejudica combate ao crime organizado na Amazônia

Em entrevista à Agência Pública, a secretária nacional de Políticas sobre Drogas e Gestão de Ativos do Ministério da Justiça, Marta Machado, afirmou que a decisão dos Estados Unidos de classificar facções criminosas brasileiras como organizações terroristas pode prejudicar os esforços de combate ao crime organizado no Brasil, especialmente na Amazônia. 

Segundo a secretária, a medida norte-americana não encontra respaldo técnico, uma vez que o terrorismo possui motivações ideológicas ou religiosas, enquanto facções como o PCC e o Comando Vermelho atuam principalmente com objetivos econômicos e lucrativos. Ela argumenta que a classificação pode enfraquecer a cooperação policial internacional, considerada fundamental para combater o tráfico de drogas, armas e outras atividades criminosas transnacionais. Além disso, alerta para possíveis impactos na economia brasileira, no sistema financeiro e até na emissão de vistos para cidadãos brasileiros. 

Marta Machado destacou que a Amazônia se tornou um dos principais focos de preocupação do governo federal devido à crescente presença de organizações criminosas. Segundo ela, a expansão do PCC e, principalmente, do Comando Vermelho na região foi favorecida pelo enfraquecimento da fiscalização ambiental nos anos anteriores, criando espaço para a ocupação de territórios estratégicos pelo tráfico de drogas e por atividades ligadas ao garimpo ilegal, desmatamento e extração clandestina de recursos naturais. 

A secretária ressaltou que atualmente existe uma forte conexão entre tráfico de drogas e crimes ambientais, fenômeno que especialistas chamam de "convergência criminal". As mesmas estruturas logísticas utilizadas para transportar cocaína também servem para movimentar ouro ilegal, madeira extraída clandestinamente e outros produtos oriundos de atividades criminosas. Além disso, atividades como o garimpo ilegal e a pecuária irregular são frequentemente utilizadas para lavagem de dinheiro das facções. 

Como resposta a esse cenário, o governo federal lançou o programa Território Seguro Amazônia Soberana, com investimento inicial de R$ 209 milhões. A iniciativa combina ações de inteligência policial, cooperação internacional e políticas sociais voltadas para comunidades vulneráveis. O objetivo é não apenas reprimir o crime organizado, mas também garantir a presença permanente do Estado após as operações policiais, evitando que as facções retomem o controle das áreas atingidas.

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