O Senado dos Estados Unidos aprovou nesta terça-feira, por 50 votos a 47, o avanço de uma resolução que obriga o presidente Donald Trump a encerrar a participação militar dos EUA na guerra contra o Irã, ampliando a pressão política sobre a Casa Branca em meio ao aumento das críticas ao conflito.Informações da NBC News.
A medida, liderada pelos democratas, ganhou força após a adesão de parte dos republicanos ao texto. O principal destaque foi o voto favorável do senador Bill Cassidy, que até então vinha acompanhando a orientação do partido contra a proposta. Cassidy mudou de posição dias depois de sofrer desgaste político interno e afirmou que o governo não explicou de forma clara ao Congresso os detalhes da chamada “Operação Epic Fury”, ação militar conduzida pelos EUA contra instalações iranianas.
“Embora eu apoie os esforços para desmontar o programa nuclear do Irã, a Casa Branca e o Pentágono deixaram o Congresso no escuro”, declarou o senador republicano.
Também votaram a favor da resolução os republicanos Rand Paul, Lisa Murkowski e Susan Collins, todos críticos à ampliação do envolvimento militar sem autorização formal do Congresso.
Do lado democrata, apenas o senador John Fetterman votou contra a proposta, mantendo posição favorável às ações militares do governo.
Após a votação, o líder da minoria democrata no Senado, Chuck Schumer, afirmou que a pressão sobre os republicanos começa a surtir efeito.
“Voto a voto, os democratas estão rompendo o muro de silêncio dos republicanos sobre a guerra ilegal de Trump”, disse Schumer, acusando o presidente de arrastar os Estados Unidos para um conflito “sem plano, sem objetivo e sem autoridade legal”.
A votação ocorre em meio ao aumento das tensões entre Washington e Teerã após os ataques americanos contra instalações ligadas ao programa nuclear iraniano e a reação militar do Irã nas últimas semanas. O tema também vem provocando divisões dentro do Partido Republicano, principalmente entre alas mais conservadoras e parlamentares ligados ao movimento isolacionista que defendem menor envolvimento dos EUA em guerras no Oriente Médio.
Nos bastidores, líderes democratas avaliam que a mudança de posição de republicanos moderados pode abrir caminho para novas tentativas de limitar os poderes de guerra da Casa Branca. Apesar do avanço da resolução, ainda não há garantia de aprovação final nem de que Trump aceitaria cumprir eventual determinação do Congresso.


