Brasília, 08/03/2026

Síndrome da Familiocracia

Luiz Carlos Bordoni (*)

O cenário atual da direita brasileira em relação à família Bolsonaro é de fragmentação e realinhamento estratégico para as eleições de 2026. Embora Jair Bolsonaro ainda seja o principal cabo eleitoral do campo conservador, cresce o movimento de distanciamento por parte de  algumas siglas e lideranças.
 
Detalhando a alma do fato, alinharmos aqui os pontos centrais dessa movimentação: 

1. Fragmentação e "Direita 2.0" 

Temos a movimentação de novas lideranças. Partidos como PSD, União Brasil e MDB buscam consolidar nomes próprios (como Ronaldo Caiado, Ratinho Júnior e Tarcísio de Freitas, que possam atrair o eleitorado conservador sem a dependência direta do "clã".  Soma-se ao eixo a "Direita Shopee" ou “Direita 2.0”, apelidos dados pelos mais radicais aos governadores moderados, evidenciando a tensão interna entre o bolsonarismo raiz e a direita pragmática.
 
2. A "Síndrome da Familiocracia" 

O termo reflete a crítica ao esforço da família Bolsonaro em manter o controle total da sucessão, mesmo com a inelegibilidade de Jair. Aí pesam a resistência a Flávio Bolsonaro. A indicação de preferido do pai como possível sucessor presidencial gerou forte resistência em partidos do Centrão, que questionam sua capacidade de unificar o bloco. Soma-se também o protagonismo de Michelle Bolsonaro: O PL tem investido na imagem dela, mas o entorno da família ainda enfrenta desconfianças internas sobre as reais intenções e viabilidade eleitoral da ex-primeira-dama.
 
3. Dilema do PL e Centrão 

a. Plano A vs. Realidade: O PL mantém publicamente Jair Bolsonaro  como "Plano A", mas a cúpula do partido demonstra cautela e evita se envolver em disputas familiares internas. b. Custo Político: As investigações judiciais e a inelegibilidade de Bolsonaro fazem com que setores da centro-direita temam o isolamento político, buscando uma "direita sem Bolsonaro" para derrotar o lulismo em 2026.

Em resumo, não há um rompimento total, mas sim uma redução da hegemonia da família Bolsonaro sobre o espectro da direita, que agora tenta equilibrar a necessidade do voto bolsonarista com o desejo de maior autonomia partidária. Seria uma ação de precaução ao já denominado PFB - Partido da Família Bolsonaro.

Luiz Carlos Bordoni é Jornalista

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