Luiz Carlos Bordoni (*) O cenário atual da direita brasileira em relação à família Bolsonaro é de fragmentação e realinhamento estratégico para as eleições de 2026. Embora Jair Bolsonaro ainda seja o principal cabo eleitoral do campo conservador, cresce o movimento de distanciamento por parte de algumas siglas e lideranças. Detalhando a alma do fato, alinharmos aqui os pontos centrais dessa movimentação: 1. Fragmentação e "Direita 2.0" Temos a movimentação de novas lideranças. Partidos como PSD, União Brasil e MDB buscam consolidar nomes próprios (como Ronaldo Caiado, Ratinho Júnior e Tarcísio de Freitas, que possam atrair o eleitorado conservador sem a dependência direta do "clã". Soma-se ao eixo a "Direita Shopee" ou “Direita 2.0”, apelidos dados pelos mais radicais aos governadores moderados, evidenciando a tensão interna entre o bolsonarismo raiz e a direita pragmática. 2. A "Síndrome da Familiocracia" O termo reflete a crítica ao esforço da família Bolsonaro em manter o controle total da sucessão, mesmo com a inelegibilidade de Jair. Aí pesam a resistência a Flávio Bolsonaro. A indicação de preferido do pai como possível sucessor presidencial gerou forte resistência em partidos do Centrão, que questionam sua capacidade de unificar o bloco. Soma-se também o protagonismo de Michelle Bolsonaro: O PL tem investido na imagem dela, mas o entorno da família ainda enfrenta desconfianças internas sobre as reais intenções e viabilidade eleitoral da ex-primeira-dama. 3. Dilema do PL e Centrão a. Plano A vs. Realidade: O PL mantém publicamente Jair Bolsonaro como "Plano A", mas a cúpula do partido demonstra cautela e evita se envolver em disputas familiares internas. b. Custo Político: As investigações judiciais e a inelegibilidade de Bolsonaro fazem com que setores da centro-direita temam o isolamento político, buscando uma "direita sem Bolsonaro" para derrotar o lulismo em 2026. Em resumo, não há um rompimento total, mas sim uma redução da hegemonia da família Bolsonaro sobre o espectro da direita, que agora tenta equilibrar a necessidade do voto bolsonarista com o desejo de maior autonomia partidária. Seria uma ação de precaução ao já denominado PFB - Partido da Família Bolsonaro. Luiz Carlos Bordoni é Jornalista

