O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, deu aval para que seus aliados apoiem Ronaldo Caiado na disputa pela Presidência da República nas eleições de 2026. A apuração é do analista de Política da CNN Pedro Venceslau. De acordo com Venceslau, a informação partiu dos próprios aliados de Tarcísio, e não diretamente do governador, que “não tem respondido muito às mensagens”.
Segundo esses interlocutores, Tarcísio deixou claro que seu candidato à presidência é Flávio Bolsonaro, posição que reforçou ao não comparecer à convenção do PSD que formalizou a candidatura de Caiado.
Tarcísio havia confirmado presença no evento, mas acabou desistindo por não se sentir confortável com um flyer de divulgação que trazia fotos dos dois juntos.
Aliança entre PSD e reeleição de Tarcísio
A convenção do PSD formalizou o apoio do partido tanto à reeleição de Tarcísio quanto à candidatura de Caiado à presidência. Essa combinação é permitida pela legislação eleitoral, que não exige que as campanhas para presidente e governador sejam necessariamente vinculadas.
Segundo Venceslau, os prefeitos ligados a Gilberto Kassab — que detém um terço das prefeituras do estado de São Paulo, após herdar o espólio político do PSDB nos últimos 28 anos — farão campanha para Tarcísio na disputa estadual e, ao mesmo tempo, poderão atuar em favor de Caiado no plano federal.
O analista destacou que Tarcísio não vai “atuar, pedir, interceder ou fazer algum movimento para impedir” o apoio de seus correligionários a Caiado. Ele concederá liberdade aos prefeitos e aliados para que atuem na campanha presidencial do candidato do PSD. Entre as cidades importantes governadas pelo partido estão Ribeirão Preto e São José dos Campos.
Nos bastidores da convenção, Venceslau encontrou Duarte Nogueira, ex-prefeito de Ribeirão Preto e candidato a deputado federal, que afirmou acreditar que muitos prefeitos seguirão esse caminho e que Caiado deve melhorar seu desempenho quando a campanha começar de fato.
Estratégia de Lula no Rio de Janeiro
Além do cenário em São Paulo, Pedro Venceslau também abordou as movimentações políticas no Rio de Janeiro. Segundo ele, Lula estava em Niterói com a expectativa de encontrar Eduardo Paes e participar de um evento conjunto.
A estratégia de Paes, contudo, não é fazer uma campanha ostensiva ao lado de Lula, pois há um forte movimento antipetista no estado.
Por outro lado, Lula não quer que seu nome seja ignorado durante a campanha do aliado, e as partes estariam tentando marcar um ato conjunto com caráter eleitoral para o início de agosto.
Venceslau explicou que o objetivo é que Eduardo Paes vença no primeiro turno — algo que as pesquisas apontam como possível, já que ele concentra mais de 50% das intenções de voto.
Com uma vitória no primeiro turno, Paes ficaria mais livre para atuar em campanhas no segundo turno. O analista ressaltou que Lula vem perdendo espaço no estado do Rio de Janeiro eleição após eleição desde 2002, e que o estado se tornou um dos principais redutos do bolsonarismo, com Jair Bolsonaro vencendo lá em 2018 e 2022.
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