Brasília, 25/07/2026

Trégua de fachada: Flávio e Michelle seguem rompidos fora das câmeras

247 – Apesar da veiculação de vídeos nas redes sociais em que trocam pedidos mútuos de desculpas, o senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência, e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), pré-candidata ao Senado, não se falaram diretamente em momento algum durante todo o processo de aproximação, segundo Isabel Mega, da CNN Brasil.

De acordo com aliados da ex-primeira-dama, a evolução desse alinhamento e o eventual engajamento de Michelle nos próximos passos da pré-campanha dependerão exclusivamente de novos gestos concretos por parte de Flávio. A indefinição atinge o próprio papel que a ex-primeira-dama poderá desempenhar na corrida do senador à Presidência, convite que foi frisado pelo próprio parlamentar em publicação feita nas redes sociais na quinta-feira (23), chamando-a para trabalhar diretamente com ele na campanha.

Embora Michelle tenha manifestado internamente a interlocutores a intenção de colaborar com a campanha do enteado à chefia do Poder Executivo, fontes próximas ao núcleo da ex-primeira-dama ressaltam que esperam a manutenção de uma postura contínua de humildade da parte de Flávio. Além disso, aliados pontuam que ambos ainda precisarão balizar com clareza os limites da atuação e do espaço de cada um no processo político.

Como reflexo da falta de diálogo direto, Michelle não deve comparecer à convenção do PL marcada para o sábado (25), evento oficial que formalizará a candidatura de Flávio à Presidência. A justificativa apresentada por sua equipe é de que ela permanecerá em casa para prestar cuidados a Jair Bolsonaro (PL).

Intermediação política e bastidores

A trégua exibida nas redes foi costurada a partir da intensa intermediação da governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), da senadora Damares Alves (Republicanos-DF) e do presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto.

O presidente do PL foi o primeiro procurado para viabilizar o acordo. Na avaliação de interlocutores de Michelle, a atuação de Valdemar Costa Neto revelou-se fundamental para sensibilizar os dois lados da disputa, além de demonstrar a compreensão do dirigente sobre o peso e a relevância da ex-primeira-dama junto ao eleitorado de direita.

Durante as tratativas para a gravação dos vídeos de retratação, diversas versões do texto foram apresentadas e descartadas. Inicialmente, o entorno de Michelle impôs pré-requisitos que não foram aceitos pela equipe de Flávio. O impasse exigiu a atuação contínua dos “bombeiros” da crise, que foram modulando os discursos de cada lado até atingirem uma versão aceitável por ambas as partes.

Estratégia de danos e impacto eleitoral

O objetivo central de ambos os lados com a divulgação dos vídeos foi construir perante a opinião pública a narrativa de que as desavenças foram superadas em prol de um adversário comum: o PT. A ideia das lideranças é explorar o lema de “todos contra Lula” para assegurar a unidade da base bolsonarista na disputa eleitoral.

Por outro lado, integrantes do círculo próximo a Michelle avaliam que a crise exposta anteriormente teve um custo elevado. A veiculação de vídeos em junho, que somaram 26 minutos e expuseram publicamente o racha interno com Flávio, foi classificada por aliados como um “tiro no pé” que não produziu os efeitos políticos desejados.

Analistas do grupo apontam que a exposição dos atritos acabou prejudicando outras candidaturas do campo da direita. Os desentendimentos provocaram impactos diretos sobre o cenário eleitoral no Distrito Federal, afetando tanto as articulações para a disputa ao Governo do Distrito Federal (GDF) quanto a composição de chapas para o Senado Federal.

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