O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, intensificou as ameaças de anexação da Groenlândia na noite deste domingo (18), após os países europeus se reunirem contra as retaliações tarifárias, e às vésperas do encontro entre autoridades dinamarquesas e groenlandesas com o secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), Mark Rutte.
Nas redes sociais, Trump voltou a acusar a Otan e a Dinamarca de falharem na proteção do território. “A Otan vem dizendo à Dinamarca, há 20 anos, que ‘vocês precisam afastar a ameaça russa da Groenlândia’. Infelizmente, a Dinamarca não conseguiu fazer nada a respeito. Agora chegou a hora, e isso será feito”, disse Trump.
As declarações ocorrem após os líderes europeus se articularem em torno de uma resposta conjunta às tarifas de 10% anunciadas pela Casa Branca contra os países contrários à medida, as taxas passariam a 25% a partir de junho. Na mira do republicano estão oito países da Otan – Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Holanda, Finlândia e Reino Unido – que enviaram militares ao território no Ártico, na última semana.
O secretário do Tesouro, Scott Bessent, também se manifestou neste domingo. Em entrevista à NBC, ele condicionou a questão da Groenlândia ao apoio norte-americano na Guerra da Ucrânia. “Os líderes europeus vão mudar de ideia e entender que precisam estar sob a proteção de segurança dos EUA. O que aconteceria na Ucrânia se os EUA retirassem seu apoio? Tudo entraria em colapso”, afirmou.
Prêmio Nobel
A ameaça não se restringiu às redes sociais. Nesta manhã, o jornalista da Nick Schifrin, da PBS, divulgou uma carta encaminhada por Trump ao primeiro-ministro da Noruega, Jonas Gahr Støre, na qual ele reclama não ter recebido o Prêmio Nobel da Paz, apesar de o governo norueguês não ter nenhuma interferência na escolha dos premiados.
“Considerando que seu país decidiu não me conceder o Prêmio Nobel da Paz por ter impedido mais de oito guerras, não me sinto mais obrigado a pensar apenas na paz, embora ela sempre seja predominante, mas agora posso pensar no que é bom e apropriado para os Estados Unidos da América”, afirma Trump.
Na carta, encaminhada pela equipe do Conselho de Segurança Nacional a vários embaixadores europeus em Washington, Trump afirma que “a Dinamarca não pode proteger aquela terra da Rússia ou da China, por que eles teriam um ‘direito de propriedade’ afinal? Não há documentos escritos, apenas que um barco atracou lá há centenas de anos, mas nós também tivemos barcos atracando lá”.
E acrescenta: “fiz mais pela Otan do que qualquer outra pessoa desde a sua fundação e, agora, a Otan deveria fazer algo pelos Estados Unidos. O mundo não estará seguro a menos que tenhamos o controle completo e total da Groenlândia”.
Resposta da Europa
Em coletiva de imprensa, o premiê do Reino Unido, Keir Starmer, afirmou que as ameaças tarifárias são “completamente equivocadas” e que uma guerra comercial “não interessa a ninguém”. Ele anunciou que irá se reunir com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e reiterou que qualquer decisão sobre o território “pertence exclusivamente aos povos da Groenlândia e da Dinamarca”.
“Nas últimas décadas, as alianças perduram porque são construídas sobre o respeito e a parceria, não sob pressão. É por isso que afirmei que o uso de tarifas contra aliados é completamente errado, e também não é útil enquadrar os esforços para fortalecer a segurança da Groenlândia como justificativa para a pressão econômica”, afirmou.
Na Alemanha, o vice-chanceler Lars Klingbeil afirmou que “não nos deixaremos chantagear” e prometeu uma resposta coordenada. “Estamos agora a preparar contramedidas em conjunto com os nossos parceiros europeus”, declarou.
O presidente Emmanuel Macron disse que realizará uma reunião sobre defesa e segurança nacional para discutir o tema; enquanto o ministro francês Roland Lescure anunciou a convocação de uma reunião urgente do G7, reafirmando o apoio à Groenlândia e à Dinamarca. “Chantagem entre amigos é obviamente inaceitável”, disse. (Brasil de Fato)

