Brasil de Fato – O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, defendeu a realização de eleições presidenciais na Ucrânia, afirmando que o prolongamento da guerra está sendo usado para evitar um novo pleito.
“Acho que é hora. Acho que é um momento importante para realizar eleições. Eles estão usando a guerra para evitar a realização de eleições, mas acho que o povo ucraniano deve ter uma escolha. E talvez Zelensky vença”, disse Trump.
Em entrevista à revista Politico, Trump observou que as eleições presidenciais na Ucrânia “não acontecem há muito tempo” e questionou a democracia do país do leste europeu. “Sabe, eles falam de democracia, mas está chegando ao ponto em que não é mais democracia”, completa.
De acordo com a constituição ucraniana, as eleições, incluindo as presidenciais e parlamentares, podem ser suspensas enquanto tiver uma lei marcial no país. A lei marcial foi declarada na Ucrânia em fevereiro de 2022, logo após o início da guerra, e é regularmente prorrogada.
Nesse contexto, as eleições para a Verkhovna Rada (parlamento ucraniano), que em tempos de paz aconteceriam em outubro de 2023, e as eleições presidenciais, que seriam realizadas em março de 2024, foram suspensas pelo continuação do estado de guerra no país. Com a não realização das eleições, as autoridades russas constantemente alegam que o regime de Zelensky é “ilegítimo”.
A fala de Trump repercutiu entre algumas autoridades russas. O presidente da Comissão de Relações Exteriores da Duma Estatal (parlamento russo) e líder do Partido Liberal Democrático da Rússia (LDPR), Leonid Slutsk, citado pela agência TASS, afirmou que a declaração do presidente dos EUA sobre a necessidade de realizar eleições na Ucrânia não é uma pressão, mas sim uma “visão sensata da situação e das perspectivas de Kiev”.
Slutsky enfatizou que as declarações de Donald Trump sobre a necessidade de realizar eleições na Ucrânia demonstram que os EUA adotam uma avaliação realista e pragmática da situação em torno do conflito.
Já o presidente russo, Vladimir Putin, declarou em 27 de novembro que os cidadãos ucranianos “cometeram um erro estratégico ao terem medo de participar das eleições presidenciais”. Ele observou também que a suposta “ilegitimidade” do atual governo ucraniano torna mais difícil chegar a um acordo sobre o conflito entre os dois países. “Assinar quaisquer documentos com a atual liderança do país é inútil, declarou o presidente russo.
“Queremos chegar a um acordo com a Ucrânia, mas neste momento é praticamente e legalmente impossível. Precisamos que a decisão seja reconhecida internacionalmente”, completou Vladimir Putin.
Potencial de expansão da Otan ‘esgotado’
Na mesma entrevista, publicada nesta segunda-feira (9), o presidente dos EUA disse acreditar que o potencial de expansão da Otan está praticamente esgotado. Segundo ele, no passado, sempre houve um entendimento entre os países de que a Ucrânia não se juntaria à aliança.
“Você entende que não restam muitos candidatos se for para expansão, certo?”, disse ele, ao responder se a Otan deveria parar de aceitar novos membros.
De acordo com o presidente dos EUA, sempre houve um entendimento mundial de que a Ucrânia não se tornaria membro da aliança.
Além disso, Trump não poupou críticas aos países da União Europeia. Ele disse que a Europa “está em ruínas devido ao aumento dos gastos militares dos países da Otan e os custos financeiros do fornecimento de armas à Ucrânia”.
“Quando nós [os EUA] enviamos algo, a Otan paga por isso e, pelo que entendi, repassa para a Ucrânia. Mas a Europa está em ruínas”, disse o líder.

