O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, defendeu nesta sexta-feira (20) a instalação da CPI do Banco Master no Senado e afirmou que o Congresso está “pronto para dar uma resposta” ao caso. Em entrevista à CNN Brasil, o dirigente cobrou diretamente do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), o avanço da comissão parlamentar, sob o argumento de que o episódio ganhou dimensão nacional e exige uma reação política do Legislativo. Até o momento, Alcolumbre tem dado sinais de que não está interessado no assunto.
Segundo Valdemar, o requerimento já reúne apoio suficiente para sair do papel. “Eu defendo a implantação da CPI do Master no Senado Federal. Ela já tem assinaturas suficientes para instalação”, disse à CNN. Na mesma entrevista, o presidente do PL afirmou que as conexões envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro deixaram o país “estarrecido” e reforçou que, na visão dele, o Congresso não deveria se omitir diante das suspeitas que cercam o caso.
A pressão pela investigação parlamentar não parte apenas do comando do PL. Registros de sessões e notas taquigráficas do Senado mostram que parlamentares vêm cobrando publicamente a abertura tanto de uma CPI exclusiva no Senado quanto de uma CPMI com deputados e senadores. Em uma das manifestações mais recentes em plenário, senadores afirmaram que o pedido relacionado ao Banco Master já teria alcançado número expressivo de adesões, com menções a 42 assinaturas no Senado e 171 na Câmara para uma comissão mista.
Delação
O debate sobre a conveniência política de uma CPI ganhou novo capítulo com o avanço das tratativas de colaboração premiada de Daniel Vorcaro. O empresário assinou em 19 de março um termo de confidencialidade com a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República, passo inicial para uma eventual delação premiada. Segundo a reportagem, a colaboração, se formalizada, deverá tratar da suposta teia de fraudes atribuída ao grupo e ainda dependerá de etapas posteriores, inclusive eventual homologação judicial.
Esse movimento ajuda a explicar a leitura, dentro da cúpula do Congresso, de que uma delação pode esvaziar politicamente a criação de uma comissão parlamentar. Na prática, parte dos líderes avalia que, se PF e PGR avançarem com uma apuração robusta e com coleta de provas por meio de colaboração, o custo institucional de uma CPI pode subir, sobretudo pelo risco de sobreposição entre investigação criminal e disputa política. Essa é uma inferência compatível com o cenário descrito pelas reportagens e com o andamento das negociações de delação, embora a decisão sobre a CPI continue sendo essencialmente política.
Tensão
O caso Banco Master se consolidou, assim, como um novo foco de tensão entre oposição, governo e comando do Congresso. De um lado, cresce a pressão pública para transformar as suspeitas em investigação parlamentar. De outro, a resistência de Alcolumbre e o avanço das apurações conduzidas por órgãos de persecução penal indicam que o desfecho pode ocorrer mais no terreno judicial do que no plenário do Senado. Por ora, a comissão segue com apoio formal de parlamentares, mas sem sinal verde da presidência da Casa.

