Brasília, 07/03/2026

Venezuela aponta falta de resultado das operações antidrogas dos EUA e fala em ‘farsa’ para derrubar governo

Brasil de Fato (*) – O presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, Jorge Rodríguez, lançou neste domingo (30) uma série de questionamentos sobre a suposta operação dos Estados Unidos contra cartéis de drogas no mar do Caribe. Ele convocou uma sessão extraordinária da Assembleia para instalar uma comissão que apure as operações dos EUA na região e os assassinatos de venezuelanos.

Rodríguez questionou a real eficácia da missão, sugerindo que, longe de reduzir o tráfico de drogas, a estratégia poderia ser uma “farsa” para atacar a Venezuela e buscar uma mudança de governo.

O representante da Assembleia Nacional também questionou a falta de resultados mensuráveis ​​da operação contra o tráfico de drogas que os Estados Unidos estão conduzindo em águas caribenhas. “Alguém está medindo a prevalência do uso de substâncias ilícitas nos Estados Unidos neste momento? Alguém está medindo se o tráfico, o microtráfico de fentanil, cocaína ou maconha diminuiu nos Estados Unidos neste momento?”, disse.

Segundo Rodríguez, quando os números reais forem publicados no final de 2025, ficará claro que “o consumo de substâncias ilícitas nos Estados Unidos só aumentou”. “Se o consumo aumentou, é consequência direta do aumento da oferta, o que indica que o tráfico de substâncias ilícitas para os Estados Unidos continua, apesar da presença militar no Caribe. Essa lógica desmonta a premissa do sucesso da operação”, afirmou.

Em seu pronunciamento, o parlamentar negou categoricamente o envolvimento do país na atual epidemia de opioides nos Estados Unidos e rejeitou qualquer ligação entre a Venezuela e o tráfico dessa substância. Rodríguez afirmou que a principal causa é o fentanil, um derivado do ópio que “entra nos Estados Unidos da América pelos canais que todos vocês conhecem; a Venezuela não tem absolutamente nada a ver com isso”.

Segundo Rodríguez, a origem da epidemia de opioides nos Estados Unidos não está no Caribe ou na Venezuela, mas sim nas próprias grandes empresas farmacêuticas estadunidenses.

Além disso, ainda segundo o presidente da Assembleia Nacional, os processos judiciais naquele país contra fabricantes de opioides destacaram a responsabilidade por campanhas publicitárias enganosas que promoveram o uso desses produtos nos últimos 25 anos, o mesmo período em que o consumo dessas substâncias disparou.

Enquanto o governo dos EUA emite ameaças e ordens para atacar embarcações não identificadas no Caribe, em águas próximas à Venezuela, o país está envolvido há semanas em extensos programas nacionais de treinamento militar, que a população defende como necessários em suas demonstrações de apoio à Revolução Bolivariana.

*Com informações da teleSur.

Tags

Gostou? Compartilhe!