Brasília, 03/08/2026

Venezuela começa negociar volta a democracia sem Corina Machado

As primeiras negociações formais para conduzir a Venezuela de volta à democracia começaram no sábado, quase sete meses após a queda do regime de Nicolás Maduro, mas já cercadas de controvérsias. O principal motivo é a exclusão da líder opositora María Corina Machado, considerada a figura mais influente da oposição venezuelana.

As conversas reúnem representantes do governo da presidente interina Delcy Rodríguez e setores da oposição, dentro de uma iniciativa apoiada pelos Estados Unidos para reconstruir as instituições democráticas do país. De acordo com reportagem publicada pelo The Wall Street Journal, o objetivo do processo é preparar a Venezuela para uma futura transição democrática, embora ainda não exista um cronograma para a realização de eleições livres.

A ausência de María Corina Machado e do diplomata Edmundo González — apontado por observadores independentes como vencedor da eleição presidencial de 2024 — provocou críticas entre opositores e especialistas. Ambos afirmam não ter participado da formulação das negociações e defendem que o mandato conferido pelos eleitores continua válido.

Ainda segundo o The Wall Street Journal, analistas avaliam que o governo dos Estados Unidos tenta demonstrar um êxito em sua política externa ao liderar o processo venezuelano, mas enfrenta críticas por priorizar a retomada dos investimentos americanos e do setor petrolífero em detrimento de uma transição política mais rápida.

O governo de Delcy Rodríguez, representado nas negociações pelo presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, afirma que o diálogo não representa uma capitulação política. Já a oposição é representada por parlamentares eleitos em 2015, na última eleição legislativa reconhecida por Washington como plenamente democrática.

Embora a Casa Branca classifique o diálogo como um passo importante para a reconstrução institucional da Venezuela, a falta de um calendário eleitoral mantém dúvidas sobre quando o país poderá realizar eleições livres e plenamente reconhecidas pela comunidade internacional.

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