Marcelo Hailer – Revista Fórum
Que o ator Wagner Moura é atacado por figuras do bolsonarismo não é exatamente uma novidade. Um dos momentos mais tensos foi quando o ator concluiu o longa “Marighella”, o qual dirigiu e foi alvo de uma série de dificuldades impostas pela gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro (2019–22), que inviabilizaram o lançamento do longa no Brasil.
A história de censura do filme “Marighella” pelo governo do ex-presidente Jair Bolsonaro foi resgatada por Wagner Moura durante participação em uma roda de conversa organizada pela revista The Hollywood Reporter, que reuniu outros atores que buscam a primeira indicação ao Oscar de Melhor Ator.
O relato de Wagner Moura ao The Hollywood Reporter voltou a despertar a fúria da claque bolsonarista, entre elas, a do deputado Mario Frias (PL-SP), que foi secretário de Cultura durante a gestão de Bolsonaro, momento histórico em que o filme de Moura foi censurado.
Mas, como se sabe, o protagonista de “O Agente Secreto” não se intimida com ataques bolsonaristas e, na noite de segunda-feira (5), Wagner Moura voltou a expor a gestão de Jair Bolsonaro à frente do Palácio do Planalto durante entrevista ao “Late Night With Seth Meyers”, na NBC.
Durante a entrevista, Seth Meyers pediu para Wagner Moura comentar sobre o sucesso de “O Agente Secreto” nos EUA e o significado que isso carrega. Foi neste momento que Moura voltou a expor Jair Bolsonaro como “fascista”:
“Sim, é muito importante para nós. Acho que é importante para os brasileiros, Seth. Porque de 2018 a 2022, quando o Brasil estava sob aquele momento fascista. Em um manual fascista, a primeira coisa que eles fazem é atacar. O que eles atacam são universidades, jornalistas e artistas. Eles foram muito eficazes em transformar ou em tentar transformar os artistas do Brasil em inimigos do povo com aquele tipo de conversa populista.”
Em seguida, Wagner Moura fala da relação dos brasileiros com o cinema: “Então, ver brasileiros, desde o ano passado, quando um filme chamado ‘Ainda Estou Aqui’, filme lindo, filme brasileiro vencedor do Oscar. Ver brasileiros torcendo por esse filme e vendo esses artistas como, tipo: ‘essas pessoas nos representam’, acho que isso é simplesmente lindo e fico muito feliz pelos brasileiros e pela nossa cultura.”
Ao atacar Wagner Moura, Mario Frias confirma: bolsonaristas são inimigos da arte
O ator Wagner Moura, que tem sido aclamado pela crítica internacional por sua atuação em “O Agente Secreto”, participou de uma roda de conversa organizada pela The Hollywood Reporter com atores que buscam a sua primeira indicação ao Oscar de Melhor Ator.
Durante o bate-papo, Wagner Moura relembrou as dificuldades impostas pelo governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (2019–2022) para impedir o lançamento de “Marighella”, longa dirigido por ele e que retrata a trajetória do líder guerrilheiro que atuou contra a ditadura brasileira.
“O Brasil, de 2018 a 2022, estava sob… eu sempre tenho dificuldade em caracterizar… foi um momento muito ruim. Uma censura. Não uma censura como durante a ditadura, mas uma censura cínica, em que eles tornam seu filme impossível de ser lançado. E quem estava contra o que estava acontecendo lá sofreu muitas consequências”, afirmou Wagner Moura.
Em seguida, o ator falou especificamente sobre o lançamento do filme: “Eu dirigi um filme sobre um cara que foi o líder da luta armada no Brasil, chamado ‘Marighella’, que estreou em Berlim em 2019 e foi censurado no Brasil.”
https://x.com/papelpop/status/2007128121368031413
Ao tomar conhecimento da declaração de Wagner Moura, o deputado federal Mario Frias (PL-SP), que foi secretário especial de Cultura no governo Jair Bolsonaro, acusou o ator de mentir, mas não rebateu o argumento central de que sua pasta impôs obstáculos para que Marighella fosse lançado no país.
Em um longo texto publicado em suas redes sociais, Mario Frias acabou, ao fim, confirmando a crítica de Wagner Moura. Em vez de contestar os fatos relatados pelo ator, o deputado partiu para ataques pessoais contra o protagonista de O Agente Secreto, afirmando que ele “apoia ditaduras sanguinárias”.
“O ator que fala neste vídeo é o mesmo que, há décadas, apoia as atrocidades de regimes socialistas na América Latina — regimes que atuam de forma muito semelhante ao da Venezuela. O mesmo ator que hoje discursa sobre censura é aquele que fez campanha política para Lula, um líder que apoia Nicolás Maduro, ícone da censura na América Latina”, escreveu Mario Frias.
Em outro momento, o deputado bolsonarista afirmou ainda que Wagner Moura é “sustentado pelo mesmo Estado que oprime, prende ilegalmente e mata o próprio povo. Alguém que afirma representar o povo, mas é financiado tanto por esse Estado quanto por elites financeiras que sustentam um regime covarde, autoritário e violento que há décadas assola a América Latina”.
https://x.com/mfriasoficial/status/2008209062509355152
Ao atacar Wagner Moura e acusá-lo, sem apresentar qualquer prova, de ser sustentado “por um Estado opressor”, Mario Frias apenas confirma que o bolsonarismo é inimigo da arte. No caso específico de Frias, ex-ator, a investida também expõe um componente de ressentimento diante do reconhecimento internacional alcançado por Moura com “O Agente Secreto”.
Com a repercussão, internautas resgataram uma publicação em que Mario Frias atacou publicamente o filme “Marighella”:


