A cúpula realizada em Pequim entre o presidente da China, Xi Jinping, e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, terminou sem grandes acordos estruturais, mas consolidou um movimento de aproximação política entre as duas maiores potências mundiais. Apesar do discurso otimista adotado pelos dois líderes, especialistas avaliaram que temas centrais da rivalidade entre Washington e Pequim continuam sem solução. Informações da NBC News.
Segundo o texto, os principais pontos de tensão — como Taiwan, tecnologia, minerais de terras raras, cadeias de suprimentos e o conflito envolvendo o Irã — permaneceram praticamente inalterados após a reunião bilateral. O analista Craig Singleton, da Fundação para a Defesa das Democracias, afirmou que a cúpula serviu para “administrar o momento”, mas não resolveu os problemas estruturais da relação sino-americana.
A questão de Taiwan apareceu como um dos temas mais delicados do encontro. Xi Jinping alertou para riscos de “confrontos e até conflitos” caso o tema não seja tratado “adequadamente”, reforçando que a ilha continua sendo a principal questão estratégica para Pequim. Já Trump confirmou que discutiu diretamente com Xi a possibilidade de venda de armas americanas para Taiwan, em um pacote estimado em US$ 14 bilhões, o que gerou preocupação entre aliados taiwaneses e especialistas em política externa.
No campo econômico, o texto destaca que as negociações também foram marcadas pela tentativa chinesa de preservar a estabilidade comercial após a trégua firmada entre os dois países no ano passado. Trump afirmou que não discutiu redução de tarifas durante a visita, mantendo a postura dura de sua política comercial contra Pequim. Especialistas ligados ao antigo governo americano avaliaram que a China busca apenas garantir condições para enfrentar os próximos anos sem sofrer impactos econômicos mais severos.
Outro tema que dominou os bastidores da visita foi a guerra envolvendo o Irã. Trump afirmou que decidirá nos próximos dias se suspenderá sanções contra empresas chinesas que compram petróleo iraniano. O presidente norte-americano também voltou a adotar tom duro em relação ao programa nuclear iraniano, chegando a afirmar que a ausência de acordo poderia levar à “aniquilação”.
O encontro também demonstrou mudanças importantes no equilíbrio de poder global. Especialistas ouvidos pelo texto afirmaram que os Estados Unidos passaram a tratar a China como um rival de mesmo nível estratégico. A presidente do International Crisis Group, Comfort Ero, destacou que Washington hoje reconhece Pequim como seu principal concorrente internacional, algo muito diferente da relação existente durante a primeira visita oficial de Trump à China, em 2017.
Entre os poucos resultados concretos anunciados após a reunião está um compromisso chinês para compra de 200 aeronaves da fabricante americana Boeing, além da promessa de ampliação das importações chinesas de soja dos Estados Unidos.
Trump também afirmou ter levantado junto a Xi Jinping o caso do empresário e ativista pró-democracia Jimmy Lai, condenado em Hong Kong por acusações relacionadas à segurança nacional chinesa. Segundo o presidente americano, o assunto foi tratado como “uma questão delicada”.
Outro ponto importante das conversas envolveu os minerais de terras raras, considerados estratégicos para a indústria tecnológica e militar global. O texto destaca que a China continua usando sua posição dominante nesse setor como instrumento de pressão internacional, enquanto os Estados Unidos ainda enfrentam dificuldades para desenvolver uma cadeia própria de produção e refino desses materiais.
Ao final da visita, autoridades chinesas classificaram a reunião como “um novo começo” para as relações bilaterais. Trump também adotou tom positivo ao deixar Pequim, afirmando esperar que a relação entre os dois países se torne “mais forte e melhor do que nunca”.



