As eleições presidenciais de 2026 no Peru acontecem em um cenário de profunda instabilidade política e institucional. Após uma década marcada por sucessivas crises, troca constante de presidentes, confrontos entre os poderes da República, denúncias de corrupção e aumento da insegurança, grande parte da população demonstra cansaço com a incerteza e passa a buscar, acima de tudo, estabilidade.
Nesse contexto, a candidatura de Keiko Fujimori ganha relevância especial. Filha do ex-presidente Alberto Fujimori, ela disputa pela quarta vez a Presidência e representa a continuidade do fujimorismo, movimento político que permanece influente mesmo três décadas após o governo de seu pai.
Keiko construiu uma trajetória singular na política peruana. Apesar de ter sido derrotada em várias eleições presidenciais, conseguiu manter uma base eleitoral fiel e uma estrutura partidária sólida por meio da Fuerza Popular. Em um país onde muitos partidos desaparecem após cada eleição, o fujimorismo segue como uma das poucas forças políticas com presença nacional duradoura.
A campanha de 2026 também marca o retorno mais explícito do legado de Alberto Fujimori ao centro do debate político. Diante do crescimento da criminalidade e da sensação de insegurança, setores da população voltam a associar os anos 1990 a um período de maior controle do Estado, estabilidade econômica e combate ao terrorismo. Ao mesmo tempo, esse legado continua controverso, já que muitos peruanos também o relacionam ao autoritarismo, à concentração de poder e a violações dos direitos humanos.
O principal desafio de Keiko continua sendo o chamado “antifujimorismo”, movimento que, em eleições anteriores, conseguiu unir diferentes correntes políticas para impedir seu retorno ao poder. No entanto, pesquisas indicam que essa rejeição pode estar menor do que em disputas passadas, abrindo espaço para uma competição mais equilibrada.
O segundo turno colocou Keiko Fujimori frente a Roberto Sánchez, político de esquerda e ex-ministro do governo de Pedro Castillo. Keiko liderou o primeiro turno com 17,19% dos votos válidos, enquanto Sánchez avançou com apenas 12,03%, números que refletem a enorme fragmentação política do país. Juntos, os dois candidatos obtiveram menos de um terço dos votos totais, evidenciando a crise de representação que afeta a democracia peruana.
Analistas destacam que a disputa vai além do tradicional confronto entre esquerda e direita. O principal problema do Peru atualmente é a dificuldade de construir governos estáveis, recuperar a confiança nas instituições e oferecer respostas concretas à população. Por isso, muitos eleitores avaliam não apenas propostas ideológicas, mas também qual candidato teria mais condições de encerrar o ciclo de instabilidade vivido pelo país nos últimos anos.
Dessa forma, a eleição de 2026 é considerada uma das mais importantes da história recente do Peru. Mais do que escolher um novo presidente, os peruanos decidem se o fujimorismo ainda pode ser visto como uma alternativa para restaurar a estabilidade ou se continua sendo parte dos problemas políticos que marcaram o país nas últimas décadas. Para Keiko Fujimori, trata-se também de uma disputa decisiva, possivelmente a última grande oportunidade de transformar décadas de influência política em uma vitória presidencial.
A candidata presidencial Keiko Fujimori iniciou sua agenda deste domingo em Villa El Salvador, onde participou de um encontro com representantes da Fuerza Popular para acompanhar os preparativos finais das eleições.
Durante a reunião, Keiko destacou a mobilização da estrutura partidária em todo o país e afirmou que mais de 95 mil fiscais foram credenciados para atuar no processo eleitoral. Segundo a candidata, as medidas necessárias para garantir a presença dos representantes do partido já haviam sido adotadas em milhares de seções eleitorais, incluindo localidades de difícil acesso nas regiões mais afastadas do Peru.
A líder da Fuerza Popular agradeceu o empenho dos militantes e ressaltou a importância do trabalho dos fiscais na supervisão do processo de votação. De acordo com ela, a ampla presença de representantes partidários contribuirá para assegurar o acompanhamento adequado da manifestação da vontade popular nas urnas.
Keiko também enfatizou que o número de mais de 95 mil fiscais mobilizados demonstra o esforço de organização realizado pela legenda ao longo da campanha, especialmente nos dias que antecederam a votação, considerada decisiva para o futuro político do país. Informações do jornal Correo.



