Brasília, 16/06/2026

Ratinho desiste da corrida eleitoral

O governador do Paraná, Ratinho Júnior (PSD), decidiu continuar  no cargo até o fim do mandato, em dezembro, e não disputará a Presidência da República nas eleições de outubro. A decisão foi tomada na noite de domingo (22), após conversas com a família, e comunicada nesta segunda-feira (23) ao presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab.

Com o movimento, Ratinho Júnior deixa a disputa interna do partido para a definição do nome que representará a legenda na corrida ao Palácio do Planalto. Até então, ele era citado como um dos principais quadros do PSD para a eleição, ao lado dos governadores Eduardo Leite, do Rio Grande do Sul, e Ronaldo Caiado, de Goiás.

Em nota divulgada pela assessoria, o governador afirmou que a prioridade é concluir os compromissos assumidos com os eleitores do Paraná e dar sequência ao projeto administrativo em andamento no estado. Segundo o comunicado, Ratinho considera que não deve interromper uma gestão que, de acordo com sua equipe, tem sido marcada por crescimento econômico, expansão de investimentos e melhora de indicadores em áreas estratégicas.

A nota destaca que a atual administração alcançou 85% de aprovação e atribui à gestão avanços na educação, redução dos índices de criminalidade, ampliação de obras de infraestrutura e reconhecimento na área de sustentabilidade. O texto também reforça a avaliação de que o governador consolidou, ao longo dos últimos anos, uma imagem de gestor com forte apelo administrativo e capacidade de articulação política.

Nos bastidores, havia expectativa de que Ratinho Júnior pudesse ser o nome preferido de Kassab para a disputa presidencial. Reportagem da CNN Brasil publicada há seis dias afirmou que o governador era tratado como favorito dentro do PSD e aparecia à frente de outros possíveis postulantes do partido.

O desempenho do paranaense em levantamentos recentes ajudava a sustentar essa avaliação. Em pesquisa Real Time Big Data divulgada em 17 de março no Rio Grande do Sul, Ratinho Júnior apareceu com 11% das intenções de voto em um dos cenários de primeiro turno, atrás de Lula e Flávio Bolsonaro, mas à frente de nomes como Romeu Zema e Renan Santos; no mesmo levantamento, Eduardo Leite marcou percentuais mais altos quando testado em cenário próprio. Em outro recorte estadual, na Bahia, pesquisa Real Time Big Data divulgada em 12 de março mostrou Ratinho Júnior com 6% em um cenário presidencial, novamente em patamar de terceiro nome mais competitivo fora da polarização principal.

Esses números indicavam que, embora ainda distante dos líderes nacionais, Ratinho vinha conseguindo furar parcialmente a bolha regional e alcançar presença em cenários testados por institutos, algo que dirigentes do PSD viam como ativo importante numa eventual candidatura. A leitura interna era a de que ele reunia recall eleitoral, boa avaliação de gestão e menor desgaste político do que outros nomes já expostos no debate nacional. Essa percepção aparece também no noticiário político desta segunda-feira, que registrou sua saída da disputa como um fato relevante para a reorganização do PSD.

Mesmo fora da corrida presidencial, Ratinho Júnior deve continuar participando do debate político nacional. De acordo com o comunicado, ele seguirá à disposição do PSD para colaborar com propostas voltadas à redução da burocracia, ao endurecimento das leis criminais, ao fortalecimento do agronegócio e à criação de perspectivas econômicas mais favoráveis para os jovens.

Reeleito em 2022 com cerca de 70% dos votos válidos, Ratinho Júnior vinha sendo apontado como uma das lideranças emergentes da centro-direita e como um dos governadores de maior visibilidade nacional. Sua decisão de não disputar a Presidência altera o cenário interno do PSD e reabre a discussão sobre qual será a estratégia da legenda na sucessão presidencial.

O comunicado informa ainda que, ao concluir o mandato em dezembro, o governador pretende deixar a vida política e retornar ao setor privado. Segundo a assessoria, ele deverá assumir a presidência do Grupo Massa de Comunicação, empresa criada por seu pai, o apresentador Ratinho.

Na mesma nota, a equipe do governador ressalta sua origem em Jandaia do Sul e a mudança da família para Curitiba ainda na infância, em um contexto de dificuldades financeiras. A menção busca reforçar a narrativa de trajetória pessoal ligada ao trabalho e à ascensão por mérito, marca frequentemente explorada por aliados de Ratinho Júnior em sua construção política.

A decisão ocorre em um momento de reorganização das forças partidárias para a eleição presidencial e tende a ter reflexos na definição das alianças do PSD nos próximos meses. Ao optar por concluir o mandato, Ratinho Júnior preserva capital político no Paraná, mantém influência dentro da legenda e evita os riscos de uma candidatura nacional em cenário ainda indefinido.

 

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