A Argentina aprovou uma reforma na Lei das Geleiras que retira a proteção automática dessas áreas e dos ambientes periglaciais, segundo reportagem do El País. A medida foi aprovada pela Câmara dos Deputados por 137 votos a favor, 111 contra e três abstenções.
De acordo com o El País, a nova legislação transfere às províncias a responsabilidade de avaliar, caso a caso, se as massas de gelo cumprem uma “função hidrológica efetiva”. Apenas aquelas que atenderem a esse critério permanecerão protegidas, enquanto as demais poderão ser liberadas para atividades econômicas, incluindo mineração.
A mudança abre caminho para a exploração de áreas da Cordilheira dos Andes anteriormente protegidas, onde há interesse na extração de minerais como cobre, ouro e prata. A reforma é considerada uma vitória política para o governo do presidente Javier Milei, em um momento de pressão interna marcado por críticas à situação econômica e por denúncias de corrupção.
Dados citados pelo jornal indicam que a Argentina possui cerca de 17 mil geleiras, distribuídas em uma área de 8.484 quilômetros quadrados — equivalente a aproximadamente 41 vezes o tamanho da cidade de Buenos Aires. Com a nova regra, parte dessas áreas poderá ser reclassificada e aberta à exploração econômica.
O governo também busca atrair investimentos para o setor mineral por meio de incentivos fiscais, facilidades alfandegárias e condições cambiais favoráveis, de acordo com o El País.
Especialistas ouvidos pela publicação alertam para os riscos ambientais da medida, destacando que as geleiras são reservas estratégicas de água doce e fundamentais para o equilíbrio ecológico, especialmente diante das mudanças climáticas.
A reforma marca uma mudança relevante na política ambiental argentina, ao flexibilizar a proteção de recursos naturais em favor da expansão de atividades econômicas, diz o El País.


