Os Estados Unidos e o Irã voltaram a trocar tiros nas proximidades do Estreito de Ormuz, aumentando a tensão em torno do cessar-fogo firmado recentemente e colocando em dúvida as negociações para encerrar o conflito na região. As informações foram divulgadas pela NBC News e repercutidas por veículos internacionais.
Segundo o presidente Donald Trump, os confrontos ocorreram enquanto três destróieres americanos atravessavam o estreito, uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo para o transporte de petróleo. Em publicação na rede Truth Social, Trump afirmou que as embarcações americanas não sofreram danos e que forças iranianas teriam sido destruídas durante o confronto.
Poucas horas depois dos ataques, os Emirados Árabes Unidos, aliados dos Estados Unidos na região do Golfo, informaram que estavam respondendo a uma ofensiva com mísseis e drones atribuída ao Irã. Autoridades locais afirmaram que sistemas de defesa aérea foram acionados para interceptar os projéteis.
Em entrevista por telefone à NBC News, Trump evitou declarar oficialmente o fim do conflito com Teerã. “Acabou quando acabar”, afirmou o presidente americano, acrescentando que os EUA venceram “militarmente”, mas ainda buscam um acordo definitivo com o governo iraniano.
Na sexta-feira, o Comando Central dos EUA informou ter disparado contra dois petroleiros iranianos que supostamente teriam violado o bloqueio naval imposto aos portos do Irã. A medida ampliou ainda mais a tensão no Golfo Pérsico e reforçou o temor de novos confrontos militares.
Os episódios demonstram a fragilidade do cessar-fogo no Estreito de Ormuz, região por onde circulava cerca de 20% do petróleo comercializado no planeta antes da escalada militar entre EUA, Israel e Irã iniciada em fevereiro.
Dados da S&P Global Market Intelligence apontam que nenhuma embarcação atravessou o estreito na quinta-feira, marcando o segundo dia consecutivo sem tráfego marítimo na rota. O cenário elevou preocupações globais sobre o abastecimento de petróleo e os impactos econômicos internacionais.
Trump afirmou ainda que os Estados Unidos “controlam” a região marítima e acusou o Irã de perder receitas econômicas devido ao bloqueio naval. O presidente sugeriu que mais importante do que encerrar imediatamente o conflito é garantir um acordo considerado vantajoso para Washington.
Durante a entrevista, Trump voltou a mencionar a possibilidade de os EUA ampliarem sua presença sobre recursos energéticos iranianos. “Existe outro conceito: demolir o país e ficar com o petróleo”, declarou, acrescentando que a viabilidade política de uma medida desse tipo ainda seria incerta.
Enquanto isso, diplomatas internacionais seguem tentando evitar um agravamento do conflito, que ameaça desestabilizar ainda mais o Oriente Médio e provocar impactos no mercado global de energia.



