Brasília, 16/06/2026

Empresários pedem que Alcolumbre trave avanço do fim da escala 6×1

Representantes do setor produtivo intensificaram a articulação política para tentar frear o avanço da proposta que prevê o fim da escala de trabalho 6×1 no Brasil. Segundo informações da CNN Brasil, empresários passaram a recorrer diretamente ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre, após o acordo firmado entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente da Câmara, Hugo Motta, para acelerar a tramitação da proposta de redução da jornada semanal de trabalho.

A movimentação ocorre em meio à discussão da PEC que reduz a carga horária de 44 para 40 horas semanais e estabelece o fim gradual da tradicional escala 6×1 — modelo em que o trabalhador atua seis dias consecutivos e descansa apenas um. Empresários alegam preocupação com os impactos econômicos da medida, especialmente sobre setores como comércio, indústria, serviços e varejo, que dependem de funcionamento contínuo.

De acordo com a CNN Brasil, um grupo liderado pelo presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, Paulo Skaf, deve se reunir com Alcolumbre para defender uma transição mais longa e menos brusca. O setor produtivo afirma ter sido surpreendido pelo entendimento político costurado entre Lula e Hugo Motta para acelerar a aprovação da proposta ainda neste semestre.

O relatório apresentado pelo deputado Leo Prates prevê que a mudança aconteça em duas etapas ao longo de 14 meses. A primeira redução da jornada ocorreria 60 dias após a promulgação da PEC, enquanto a segunda seria implementada um ano depois. O texto também abre espaço para acordos coletivos temporários permitindo jornadas superiores a oito horas diárias durante o período de adaptação.

Nos bastidores de Brasília, a proposta ganhou forte apelo político e sindical. Centrais trabalhistas defendem que a mudança pode melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores, reduzir casos de adoecimento mental e estimular a geração de empregos. Já representantes empresariais argumentam que a medida poderá elevar custos operacionais, pressionar pequenas empresas e provocar aumento de preços ao consumidor.

A CNN Brasil também destaca que o avanço da proposta ocorre em um momento de aproximação política entre Hugo Motta e o Palácio do Planalto. O presidente da Câmara, que busca fortalecer sua base para futuras disputas políticas na Paraíba, teria interesse em ampliar o diálogo com setores governistas e movimentos sindicais.

Mesmo com o avanço na Câmara, a expectativa é de que o Senado se transforme no principal campo de resistência ao texto. Integrantes do setor produtivo apostam na atuação de Davi Alcolumbre para desacelerar a tramitação e abrir espaço para negociações mais amplas sobre prazos de transição e possíveis compensações econômicas.

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