A disputa presidencial na Colômbia ganhou um componente internacional após uma manifestação pública do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em favor do candidato conservador Abelardo de la Espriella. A declaração provocou forte reação do candidato governista de esquerda Iván Cepeda (foto), que classificou o gesto como uma interferência indevida no processo eleitoral colombiano. Informações do El Nacional.
Durante entrevista coletiva em Bogotá, Cepeda afirmou que o apoio explícito da Casa Branca representa um risco à soberania nacional e à autonomia do eleitorado colombiano. Segundo ele, embora líderes estrangeiros possam ter preferências políticas, não seria aceitável que governos externos influenciassem uma decisão que cabe exclusivamente ao povo da Colômbia.
A controvérsia surgiu após Trump divulgar uma mensagem na qual elogiou De la Espriella, descrevendo-o como um líder “forte, inteligente e determinado”. O presidente americano argumentou que uma eventual vitória do candidato conservador poderia impulsionar o crescimento econômico, ampliar a geração de empregos formais, fortalecer o comércio bilateral e endurecer o combate ao narcotráfico e ao crime organizado.
Cepeda respondeu afirmando que sua campanha está comprometida com a defesa da democracia e da independência nacional. O candidato governista também acusou o adversário de buscar apoio internacional para fortalecer sua candidatura, classificando essa postura como contrária aos interesses do país.
Por sua vez, De la Espriella agradeceu publicamente o respaldo de Washington. Em nota divulgada nas redes sociais, o candidato destacou a histórica parceria entre Estados Unidos e Colômbia, defendendo um alinhamento estratégico mais próximo entre os dois países em temas como segurança, comércio e cooperação regional.
O episódio ocorre em um momento decisivo da corrida eleitoral. No primeiro turno, realizado no último domingo, De la Espriella terminou na liderança, com cerca de 10,3 milhões de votos, equivalentes a 43,74% dos votos válidos, enquanto Cepeda garantiu a segunda colocação e avançou para o segundo turno, marcado para 21 de junho.
Possíveis desdobramentos
Analistas políticos avaliam que a declaração de Trump poderá ter efeitos distintos sobre o eleitorado colombiano. Entre setores mais conservadores, o apoio americano pode ser interpretado como um sinal de confiança internacional na candidatura de De la Espriella. Já entre eleitores nacionalistas e grupos de centro-esquerda, a manifestação pode reforçar o discurso de defesa da soberania adotado por Cepeda.
Outro aspecto relevante é o impacto que o resultado da eleição poderá ter sobre as relações internacionais da Colômbia. Uma eventual vitória de De la Espriella tende a aproximar Bogotá de Washington e de governos conservadores da região. Já uma vitória de Cepeda poderá significar a continuidade de políticas mais alinhadas aos setores progressistas latino-americanos e a uma diplomacia de maior autonomia em relação aos Estados Unidos.
A campanha entra agora em sua fase mais intensa, com segurança pública, economia, combate ao narcotráfico e política externa figurando entre os principais temas do debate eleitoral. A expectativa é que os próximos dias sejam marcados por uma forte disputa pela conquista dos eleitores indecisos, que poderão definir o futuro político da Colômbia.

