247 – O ex-ministro José Dirceu afirmou nesta sexta-feira (26) que a carta enviada pelo secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) evidencia o alinhamento do parlamentar brasileiro ao governo de Donald Trump e aos interesses norte-americanos, classificando, em publicação no X, essa articulação como uma ameaça à soberania nacional.
A carta do secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, para Flávio Bolsonaro confirma um fato político.
Ela propõe uma equipe de transição, caso ele seja eleito, e reafirma tarifas contra o Brasil e um contencioso comercial envolvendo as big techs, o Pix, as terras…
— Zé Dirceu (@ZeDirceu_) June 26, 2026
Na carta, Rubio reafirmou a posição do governo Trump sobre a possibilidade de novas tarifas comerciais contra o Brasil e mencionou a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. Para Dirceu, o documento não se limita a tratar de comércio exterior, mas sinaliza uma aproximação política entre Flávio Bolsonaro e a administração norte-americana em temas sensíveis para o país.
Dirceu vê interferência externa
“A carta do secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, para Flávio Bolsonaro confirma um fato político”, escreveu Dirceu.
Segundo o ex-ministro, a correspondência “propõe uma equipe de transição, caso ele seja eleito, e reafirma tarifas contra o Brasil e um contencioso comercial envolvendo as big techs, o Pix, as terras raras, a Amazônia, a propriedade intelectual e o etanol”. Para Dirceu, esses temas já foram objeto de negociações em instâncias multilaterais, como a Organização Mundial do Comércio (OMC), e não deveriam ser tratados sob pressão externa.
O ponto central da crítica é a relação política estabelecida entre Flávio Bolsonaro e o governo dos Estados Unidos. “O problema é outro. Flávio Bolsonaro é o candidato de Trump”, afirmou o petista. Na avaliação dele, a carta expõe uma vinculação da candidatura do senador a interesses estrangeiros.
“A carta mostra que ele vincula sua candidatura aos interesses norte-americanos e à interferência dos Estados Unidos nos assuntos internos do Brasil”, escreveu Dirceu. A declaração amplia o tom de confronto político em torno da interlocução de Flávio Bolsonaro com autoridades norte-americanas, especialmente em um momento em que medidas comerciais dos Estados Unidos podem atingir setores estratégicos da economia brasileira.
Tarifas e soberania no centro da crise
No documento enviado a Flávio, Rubio afirmou que ainda existem “diferenças substanciais” entre Brasil e Estados Unidos na área comercial. O secretário citou a investigação conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), órgão responsável por formular e negociar a política comercial norte-americana e por recomendar medidas como a imposição de tarifas.
Rubio também escreveu: “Ele [Jamieson Greer] propôs uma ação responsiva para comentário público. Esta determinação e a proposta de ação responsiva [sobretaxas] decorrem de uma investigação iniciada em julho de 2025 sob a direção específica do Presidente Trump”.
A investigação mencionada por Rubio envolve pontos de atrito entre os dois países, incluindo temas ligados à economia digital, à propriedade intelectual, ao etanol e a setores estratégicos da indústria brasileira. Dirceu, no entanto, concentrou sua crítica no uso político da relação com Washington por parte de Flávio Bolsonaro.
“Dependência política gera dependência econômica, tecnológica e militar”, afirmou o ex-ministro. “Quem aceita essa condição entrega sua soberania. O que Flávio Bolsonaro está fazendo é traição à pátria.”
A carta também trata da decisão dos Estados Unidos de classificar o PCC e o CV como organizações terroristas, medida apoiada por Flávio Bolsonaro e criticada por setores que veem risco de ingerência estrangeira em temas de segurança pública e combate ao crime organizado.


