A tensão entre Estados Unidos e Irã voltou a aumentar neste sábado (18), após o líder supremo iraniano, Mojtaba Khamenei, acusar Washington de descumprir repetidamente um memorando de entendimento firmado entre os dois países. Em comunicado, Khamenei afirmou que a assinatura do presidente Donald Trump é “desprovida de credibilidade” e advertiu que os Estados Unidos e seus aliados ainda receberão “lições inesquecíveis” da nação iraniana e da chamada “frente de resistência”. Segundo a Reuters, a declaração ocorre em meio ao agravamento do conflito e ao colapso do acordo de cessar-fogo firmado entre as partes.
No campo militar, o confronto entrou em uma nova fase. A Guarda Revolucionária informou ter lançado ataques contra instalações utilizadas pelas forças norte-americanas no Kuwait, incluindo o Campo Arifjan e uma instalação de radar na Base Aérea Ali Al Salem. Autoridades kuwaitianas também registraram danos em uma usina de dessalinização e a suspensão temporária das operações no aeroporto internacional devido ao risco de novos ataques.
Os Estados Unidos, por sua vez, mantiveram pelo sétimo dia consecutivo os bombardeios contra alvos iranianos. As operações atingiram instalações militares, centros logísticos, pontes e estruturas consideradas estratégicas pelo Pentágono. A disputa também se intensificou no Estreito de Ormuz, onde militares norte-americanos ampliaram as ações de fiscalização sobre embarcações, enquanto a imprensa iraniana relatou explosões envolvendo petroleiros após supostas minas navais instaladas na região.
O agravamento do conflito tem ampliado a preocupação internacional diante dos riscos para o transporte marítimo e o abastecimento mundial de petróleo, já que cerca de um quinto do comércio global da commodity passa pelo Estreito de Ormuz. A continuidade dos ataques também aumenta o temor de que outros países do Golfo sejam arrastados para o confronto, elevando o risco de uma guerra regional de maiores proporções.
De acordo com o Ministério da Saúde do Irã, os ataques norte-americanos deixaram pelo menos 38 mortos e mais de 400 feridos desde 22 de junho. Paralelamente, autoridades militares iranianas sinalizaram que novas ofensivas poderão ser realizadas caso Washington mantenha a atual campanha de bombardeios contra o país.

