O primeiro debate entre os candidatos ao Governo do Distrito Federal, realizado pela TV Band neste domingo (9), colocou a gestão da governadora Celina Leão (PP) no centro das discussões. Saúde pública, crise do BRB, mobilidade urbana e problemas da administração distrital foram os principais temas do encontro, que teve críticas à atual gestão, mas também respostas e explicações da governadora.
Na saúde, Ricardo Cappelli (PSB) questionou as condições de atendimento na rede pública e citou problemas que teria encontrado durante visitas a hospitais, UPAs e UBSs. Também cobrou explicações sobre os recursos destinados ao setor.
Celina respondeu apresentando medidas adotadas desde que assumiu o governo. Citou a contratação de mais de 700 médicos, a realização de consultas e procedimentos e investimentos em obras e equipamentos hospitalares. Segundo a governadora, foram destinados mais de R$ 60 milhões a obras nas unidades de saúde e novos equipamentos foram instalados nos hospitais.
O confronto também trouxe referências a administrações anteriores e a episódios envolvendo investigações na área da saúde. Cappelli defendeu medidas emergenciais para enfrentar os problemas da rede pública. Celina, por sua vez, lembrou dificuldades herdadas de gestões anteriores e afirmou que os problemas da saúde não podem ser resolvidos em poucos meses.
A crise do Banco de Brasília (BRB) foi outro dos principais assuntos do debate. Leandro Grass (PT), José Roberto Arruda (PSD) e Paula Belmonte (PSDB) cobraram informações sobre a situação financeira da instituição e questionaram as operações envolvendo o Banco Master.
Grass defendeu uma auditoria para esclarecer as contas do banco e ampliar a transparência sobre os recursos envolvidos. Também afirmou que eventuais prejuízos não deveriam ser repassados à população por meio de aumento de impostos ou cortes em áreas como saúde e educação.
Arruda apresentou propostas para reduzir despesas e fortalecer o BRB. Entre elas estão mudanças na direção do banco, revisão de patrocínios e redução de estruturas mantidas fora de Brasília. O ex-governador também defendeu novas linhas de transporte sobre trilhos.
Paula Belmonte concentrou suas críticas nas operações envolvendo o Banco Master e questionou a atuação de Celina durante o período em que era vice-governadora. Também criticou os gastos do BRB com patrocínios e defendeu que a instituição priorize o financiamento de pequenos empreendedores e o desenvolvimento econômico do Distrito Federal.
Celina respondeu que herdou a crise e afirmou que não participou das negociações com o Banco Master. Disse que, diante do problema, sua prioridade passou a ser defender o BRB e preservar a instituição como patrimônio do Distrito Federal.
Sobre o período em que era vice-governadora, Celina afirmou que não tinha poder para alterar decisões tomadas pelo então governador Ibaneis Rocha. Também disse que respeitou a independência da Câmara Legislativa e que não orientou deputados de seu partido sobre votações relacionadas ao banco.
A governadora ainda negou envolvimento com operadores financeiros citados nas investigações e criticou o que considera manifestações capazes de prejudicar a imagem do BRB e aumentar a insegurança em torno da instituição.
A mobilidade urbana também entrou na pauta. Arruda destacou as expansões do metrô realizadas durante seus governos e defendeu novas linhas. Kiko Caputo (Novo) apresentou propostas para ampliar as ligações entre o Plano Piloto e outras regiões do Distrito Federal.
A educação apareceu entre os problemas discutidos, especialmente em razão da queda do Distrito Federal no ranking do Ideb, divulgada na semana anterior ao debate.
Ao longo do encontro, Celina foi alvo de grande parte dos questionamentos, mas teve espaço para apresentar sua versão sobre os problemas levantados pelos adversários e destacar medidas adotadas desde que assumiu o governo.
O debate mostrou uma disputa marcada pela avaliação dos primeiros meses da atual administração. Saúde e BRB concentraram as críticas, enquanto Celina procurou responder aos questionamentos, apresentar ações de seu governo e atribuir parte dos problemas a decisões e dificuldades herdadas de administrações anteriores.
Mais do que um confronto de acusações, o encontro serviu para expor ao eleitorado os diferentes diagnósticos sobre os problemas do Distrito Federal e as propostas dos candidatos para enfrentá-los.

