Brasília, 11/08/2026

Carlos Bolsonaro precisa vencer disputa dentro da direita em SC

Carlos Bolsonaro terá de enfrentar uma disputa dentro do próprio campo político para conquistar uma das duas vagas de Santa Catarina ao Senado. A candidatura do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro encontra pela frente dois nomes fortes da direita: o senador Esperidião Amin, do PP, e a deputada Caroline de Toni, do PL. Com os três disputando uma parcela semelhante do eleitorado, a eleição promete ser uma das mais acirradas entre os candidatos conservadores no Estado.

A dificuldade de Carlos está justamente no fato de Santa Catarina ser um dos principais redutos eleitorais de Jair Bolsonaro. O Estado tem uma forte presença bolsonarista, mas esse eleitorado não está concentrado em torno de um único candidato. A entrada de Carlos na disputa acabou aumentando a concorrência dentro da própria direita.

Esperidião Amin possui uma longa trajetória política em Santa Catarina e uma base eleitoral consolidada. Sua permanência na disputa impede que o PL conte com uma concentração automática dos votos da direita em torno de Carlos.

Caroline de Toni representa outro obstáculo. Também bolsonarista e com forte presença no Estado, ela disputa espaço diretamente com Carlos. A situação ficou ainda mais delicada diante das divergências envolvendo a própria família Bolsonaro. Michelle Bolsonaro demonstrou apoio a Caroline, enquanto Carlos recebeu o respaldo de Jair Bolsonaro.

A divisão pode ter peso decisivo porque Santa Catarina elegerá dois senadores. Os candidatos não precisam apenas liderar isoladamente a disputa, mas garantir uma posição entre os dois mais votados. Com três nomes competitivos no campo da direita, a distribuição dos votos poderá ser determinante para definir quem ficará com as vagas.

As pesquisas disponíveis mostram uma corrida equilibrada entre Carlos, Caroline de Toni e Esperidião Amin. Nenhum dos três aparece com vantagem suficiente para considerar a eleição definida, deixando aberta a disputa até os últimos meses da campanha.

Carlos ainda enfrenta o desafio de construir uma base própria em Santa Catarina. Sua carreira política foi desenvolvida no Rio de Janeiro, onde exerceu o cargo de vereador. A transferência para Santa Catarina lhe permite explorar a força eleitoral do sobrenome Bolsonaro, mas também exige uma aproximação maior com lideranças e eleitores locais.

É nesse ponto que está o principal teste da candidatura. Carlos conta com a popularidade do pai e com a força do bolsonarismo catarinense, mas terá de convencer esse mesmo eleitorado a escolher seu nome em uma disputa na qual outros candidatos da direita também reivindicam a mesma preferência.

No meio dessa corrida, Carlos declarou ao Tribunal Superior Eleitoral patrimônio de R$ 2,7 milhões. A maior parte dos bens está concentrada em aplicações financeiras: R$ 1,95 milhão em “outras aplicações e investimentos”, além de R$ 463,9 mil em conta corrente. Os quatro veículos declarados — um Nissan Kicks, um HB20X, uma motocicleta MT03 e uma Dafra City — somam R$ 246,6 mil.

A declaração patrimonial, porém, é apenas um dado complementar diante do desafio eleitoral. Para chegar ao Senado, Carlos Bolsonaro terá de superar adversários com presença política no Estado e, principalmente, evitar que a divisão da direita transforme a força do bolsonarismo catarinense em votos espalhados entre vários candidatos.

Tags

Gostou? Compartilhe!