Carlos Bolsonaro terá de enfrentar uma disputa dentro do próprio campo político para conquistar uma das duas vagas de Santa Catarina ao Senado. A candidatura do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro encontra pela frente dois nomes fortes da direita: o senador Esperidião Amin, do PP, e a deputada Caroline de Toni, do PL. Com os três disputando uma parcela semelhante do eleitorado, a eleição promete ser uma das mais acirradas entre os candidatos conservadores no Estado.
A dificuldade de Carlos está justamente no fato de Santa Catarina ser um dos principais redutos eleitorais de Jair Bolsonaro. O Estado tem uma forte presença bolsonarista, mas esse eleitorado não está concentrado em torno de um único candidato. A entrada de Carlos na disputa acabou aumentando a concorrência dentro da própria direita.
Esperidião Amin possui uma longa trajetória política em Santa Catarina e uma base eleitoral consolidada. Sua permanência na disputa impede que o PL conte com uma concentração automática dos votos da direita em torno de Carlos.
Caroline de Toni representa outro obstáculo. Também bolsonarista e com forte presença no Estado, ela disputa espaço diretamente com Carlos. A situação ficou ainda mais delicada diante das divergências envolvendo a própria família Bolsonaro. Michelle Bolsonaro demonstrou apoio a Caroline, enquanto Carlos recebeu o respaldo de Jair Bolsonaro.
A divisão pode ter peso decisivo porque Santa Catarina elegerá dois senadores. Os candidatos não precisam apenas liderar isoladamente a disputa, mas garantir uma posição entre os dois mais votados. Com três nomes competitivos no campo da direita, a distribuição dos votos poderá ser determinante para definir quem ficará com as vagas.
As pesquisas disponíveis mostram uma corrida equilibrada entre Carlos, Caroline de Toni e Esperidião Amin. Nenhum dos três aparece com vantagem suficiente para considerar a eleição definida, deixando aberta a disputa até os últimos meses da campanha.
Carlos ainda enfrenta o desafio de construir uma base própria em Santa Catarina. Sua carreira política foi desenvolvida no Rio de Janeiro, onde exerceu o cargo de vereador. A transferência para Santa Catarina lhe permite explorar a força eleitoral do sobrenome Bolsonaro, mas também exige uma aproximação maior com lideranças e eleitores locais.
É nesse ponto que está o principal teste da candidatura. Carlos conta com a popularidade do pai e com a força do bolsonarismo catarinense, mas terá de convencer esse mesmo eleitorado a escolher seu nome em uma disputa na qual outros candidatos da direita também reivindicam a mesma preferência.
No meio dessa corrida, Carlos declarou ao Tribunal Superior Eleitoral patrimônio de R$ 2,7 milhões. A maior parte dos bens está concentrada em aplicações financeiras: R$ 1,95 milhão em “outras aplicações e investimentos”, além de R$ 463,9 mil em conta corrente. Os quatro veículos declarados — um Nissan Kicks, um HB20X, uma motocicleta MT03 e uma Dafra City — somam R$ 246,6 mil.
A declaração patrimonial, porém, é apenas um dado complementar diante do desafio eleitoral. Para chegar ao Senado, Carlos Bolsonaro terá de superar adversários com presença política no Estado e, principalmente, evitar que a divisão da direita transforme a força do bolsonarismo catarinense em votos espalhados entre vários candidatos.


