A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro afirmou nesta terça-feira (11) que colocou “uma pedra” no desentendimento com o senador Flávio Bolsonaro (PL), em uma tentativa de encerrar a crise que marcou a montagem da campanha presidencial. Os dois se reencontraram pessoalmente pela primeira vez desde o início do conflito e participaram juntos de gravações para as redes sociais e para a propaganda eleitoral.
Michelle esteve na sede jurídica da campanha de Flávio durante um encontro com candidatos ao Senado apoiados pelo presidenciável em diferentes estados. O reencontro vinha sendo preparado nas últimas semanas, depois de conversas intermediadas por assessores e pessoas próximas à família. Informações do SBTNews
Ao deixar o local, Michelle adotou um tom conciliador e afirmou que não guarda mágoas do enteado. “Eu não guardo mágoa de ninguém. Meu coração é limpo, graças a Deus. Até porque, se eu guardar mágoa, eu é que não vou conseguir viver. Então, eu estou livre desse sentimento. Eu acho que as coisas vão se ajustando aos poucos”, afirmou.
Apesar da disposição de virar a página, Michelle deixou claro que a relação ainda passa por um processo de reacomodação. O episódio desta terça-feira representa, portanto, mais um passo na tentativa de recompor a unidade política da família Bolsonaro durante a campanha presidencial.
Os dois já tinham uma oportunidade prevista de se encontrar no lançamento da candidatura de Michelle ao Senado, mas ela não compareceu depois de ser internada com enxaqueca.
A crise entre os dois começou a ganhar dimensão pública a partir das divergências sobre a estratégia eleitoral do PL no Ceará. Michelle se posicionou contra a aproximação do partido com Ciro Gomes e defendia uma candidatura de Eduardo Girão ao governo estadual. Ela também apoiava a candidatura da vereadora Priscila Costa ao Senado.
O episódio provocou um duro confronto entre Michelle e Flávio. Em junho, a ex-primeira-dama revelou que havia sido tratada de forma ríspida pelo enteado durante uma conversa telefônica e afirmou ter se sentido desrespeitada. Segundo seu relato, Flávio teria questionado sua participação nas decisões partidárias e dito que ela deveria ficar fora das decisões do partido.
A crise acabou atingindo também a estrutura partidária. Em 30 de junho, Michelle deixou a presidência do PL Mulher. Oficialmente, afirmou que a decisão havia sido tomada após conversa com Jair Bolsonaro e que pretendia se dedicar integralmente aos cuidados do ex-presidente e da filha. A saída, porém, ocorreu no auge do conflito com Flávio e foi amplamente associada à disputa interna.
A disputa teve consequências no próprio projeto eleitoral do grupo. A candidatura de Priscila Costa ao Senado pelo Ceará perdeu espaço, enquanto o partido passou a trabalhar outras alternativas para a composição da chapa estadual. O episódio mostrou que a divergência entre Michelle e Flávio não era apenas pessoal, mas envolvia diferentes visões sobre alianças e escolhas eleitorais.
O resumo do “barraco”
O conflito começou como uma disputa política, mas rapidamente ganhou dimensão familiar. Michelle se opôs à aproximação do PL do Ceará com Ciro Gomes e defendia que o grupo mantivesse uma candidatura própria no Estado. Também trabalhava pela candidatura de Priscila Costa ao Senado.
Flávio, responsável pela campanha presidencial, adotou uma estratégia diferente para ampliar alianças. A divergência sobre o Ceará acabou provocando uma discussão entre os dois. Michelle posteriormente tornou público que se sentiu humilhada e desrespeitada pelo enteado durante uma ligação telefônica.
O episódio provocou um afastamento entre os dois e contaminou a relação de Michelle com setores da direção do PL. A ex-primeira-dama acabou deixando a presidência do PL Mulher, enquanto aliados passaram a discutir os efeitos da crise sobre a campanha de Flávio.
O problema ganhou ainda mais peso porque Michelle era uma das principais lideranças femininas do bolsonarismo e vinha sendo considerada para ocupar papel relevante na campanha presidencial. O conflito, portanto, ameaçava não apenas a relação entre madrasta e enteado, mas também a unidade política do grupo.
Depois de semanas de afastamento e de conversas para diminuir a tensão, os dois começaram a reconstruir a relação. O reencontro desta terça-feira, com Michelle e Flávio lado a lado em gravações eleitorais, representa a tentativa mais explícita de mostrar que a crise foi superada.
Michelle, entretanto, não retirou todas as críticas. Mesmo ao falar em reconciliação, voltou a reclamar da falta de autonomia que, segundo ela, enfrentou quando comandava o PL Mulher. A avaliação é de que a “pedra” foi colocada sobre o conflito pessoal, mas algumas divergências políticas dentro do grupo ainda permanecem.
A reconciliação também tem importância para a campanha presidencial. Flávio precisa apresentar uma imagem de unidade do grupo Bolsonaro, enquanto Michelle continua sendo uma figura de forte presença entre o eleitorado conservador feminino. A recomposição dos dois ajuda a reduzir uma divisão que havia se tornado pública e ameaçava a campanha. A própria Reuters classificou a disputa como uma divisão interna que poderia afastar parte do eleitorado feminino e registrou que o conflito foi posteriormente resolvido.



