O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelenskyy, demitiu a vice-chefe de gabinete da Presidência, Iryna Mudra, em meio a uma nova investigação sobre um suposto esquema de lavagem de dinheiro. A decisão amplia a pressão sobre o governo ucraniano, que também enfrenta críticas internas por denúncias de corrupção e questionamentos sobre a condução política do país durante a guerra.
Segundo o jornal britânico The Guardian, a demissão foi determinada por decreto depois que veículos da imprensa ucraniana informaram que a residência de Mudra havia sido alvo de buscas realizadas pelas autoridades responsáveis pela investigação. A Presidência não apresentou oficialmente os motivos para o afastamento.
A crise ganhou força um dia depois de o ex-ministro da Defesa Mykhailo Fedorov defender a realização de eleições presidenciais mesmo durante a guerra. Em pronunciamento divulgado na terça-feira, ele afirmou que a Ucrânia enfrenta uma “crise sistêmica de governança” e acusou o governo Zelenskyy de não conseguir controlar a corrupção.
Zelenskyy evitou responder diretamente às acusações e à cobrança por eleições antecipadas. Em suas primeiras manifestações após a crise, limitou-se a agradecer ao Parlamento pela confirmação de Yevhen Khmara como substituto de Fedorov.
A sucessão de episódios aumenta a pressão política sobre Zelenskyy em um momento particularmente delicado para a Ucrânia. Além de administrar os efeitos da guerra, o presidente passa a enfrentar críticas cada vez mais abertas dentro do próprio establishment político sobre corrupção, governança e a continuidade de seu mandato.

