O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou uma nova ofensiva econômica contra o Irã, batizada por ele de “Dia D Econômico”, em meio à crescente frustração da Casa Branca com a falta de avanços nas negociações para reabrir o Estreito de Ormuz e encerrar a guerra, que se aproxima de seis meses.
Segundo o Wall Street Journal, Trump prometeu impor uma campanha de pressão econômica ainda mais severa contra Teerã e ameaçou também países, empresas e instituições financeiras que continuarem oferecendo apoio ou meios para o Irã contornar as sanções americanas. A intenção é ampliar o isolamento financeiro do país e cortar as fontes de recursos que ainda sustentam sua economia.
A ameaça ocorre depois do fim de um prazo de 60 dias estabelecido para que Washington e Teerã chegassem a um entendimento. As conversas não produziram o resultado esperado. Os Estados Unidos insistem que qualquer acordo para interromper o conflito deve incluir garantias relacionadas ao programa nuclear iraniano, condição que o governo do Irã rejeita nos termos defendidos por Washington.
Trump afirmou que países que permitirem que bancos, empresas, aeroportos ou órgãos governamentais forneçam uma “tábua de salvação” ao Irã poderão sofrer fortes consequências econômicas. A ofensiva deve mirar especialmente mecanismos utilizados para escapar das sanções, como comércio clandestino de petróleo, transferências financeiras, casas de câmbio, registros de navios e empresas de fachada.
O governo americano já mantém um amplo sistema de sanções contra Teerã, mas a declaração de Trump indica uma tentativa de apertar ainda mais o cerco, inclusive por meio de sanções secundárias contra terceiros que continuarem negociando com os iranianos. O secretário do Tesouro, Scott Bessent, sinalizou que novas medidas estão sendo preparadas.
Um movimento importante citado pelo WSJ ocorreu nos Emirados Árabes Unidos, que reduziram seus vínculos financeiros com o Irã. A medida pode dificultar ainda mais o acesso iraniano ao sistema financeiro internacional e às rotas utilizadas para driblar as restrições americanas.
Apesar da escalada da pressão, há sinais contraditórios sobre a situação diplomática. Enquanto integrantes do governo americano indicaram avanços em contatos indiretos com Teerã, Trump negou que negociações relevantes estejam em andamento. O impasse mantém distante, por enquanto, tanto um acordo para encerrar a guerra quanto uma solução para a crise envolvendo o Estreito de Ormuz.

