Os Estados Unidos ameaçaram aplicar sanções contra países, empresas e instituições financeiras que continuarem mantendo relações comerciais com o Irã, mas ainda não informaram quando as punições começarão a ser adotadas nem quais governos serão atingidos.
Segundo a CNN Brasil, o governo do presidente Donald Trump pretende estabelecer prazos específicos para que parceiros comerciais de Teerã encerrem negócios e operações financeiras com o país. A medida faz parte de uma nova tentativa de ampliar o isolamento econômico iraniano.
O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, afirmou que Washington prepara uma “ofensiva econômica” contra as conexões financeiras internacionais do Irã. Ele evitou, porém, identificar os países que poderão ser punidos e não revelou um calendário para a entrada em vigor das sanções.
A ameaça envolve as chamadas sanções secundárias. Por esse mecanismo, os Estados Unidos podem restringir o acesso ao sistema financeiro americano de bancos, empresas e outras entidades estrangeiras que negociem com setores sancionados da economia iraniana.
A estratégia procura obrigar governos e companhias a escolher entre continuar fazendo negócios com o Irã ou preservar suas relações comerciais e financeiras com os Estados Unidos.
De acordo com a Reuters, Bessent declarou que o objetivo é atingir as principais fontes de financiamento do governo iraniano e cortar suas ligações com o sistema financeiro mundial. O secretário também indicou que uma grande instituição financeira poderá ser alvo das próximas medidas.
O governo norte-americano anunciou sanções contra cerca de 60 entidades relacionadas a diferentes setores da economia iraniana. As restrições alcançam empresas e pessoas ligadas ao transporte marítimo, à aviação, à tecnologia, ao comércio de ouro e a operações com ativos digitais.
A China aparece como o principal foco de preocupação de Washington por ser a maior compradora do petróleo iraniano. Até agora, entretanto, o governo Trump tem evitado atingir diretamente os maiores bancos chineses, numa tentativa de impedir que a pressão contra Teerã provoque uma crise mais ampla nas relações entre Estados Unidos e China.
Turquia e Emirados Árabes Unidos também mantêm importantes relações comerciais com o Irã. Os Emirados já suspenderam parte das transações comerciais e financeiras, medida que atingiu exportadores de outros países que utilizavam Dubai como rota para vender produtos ao mercado iraniano.
A Associated Press informou que Bessent pediu aos parceiros internacionais que encerrem suas ligações financeiras com Teerã. Segundo ele, nenhum país deverá considerar-se automaticamente protegido das punições norte-americanas.
Apesar do tom de ameaça, Washington ainda não apresentou os prazos que pretende conceder aos países nem explicou quais atividades comerciais poderão receber isenções. Também permanece indefinida a situação de produtos humanitários, como alimentos e medicamentos.
A nova ofensiva econômica ocorre em meio ao impasse nas negociações entre Estados Unidos e Irã e à disputa sobre a reabertura do Estreito de Ormuz. A passagem marítima é fundamental para o comércio mundial de petróleo e permanece no centro das tensões entre os dois países.
O governo Trump considera que a pressão econômica pode obrigar Teerã a fazer concessões sobre seu programa nuclear e sobre a circulação de navios pelo estreito. O Irã, por sua vez, acusa Washington de recorrer à coerção econômica e afirma que novas sanções poderão ampliar o conflito.


