Brasília, 29/08/2026

Nepal pede ajuda estrangeira após enchentes

O Nepal pediu ajuda técnica internacional para enfrentar as consequências das enchentes que já deixaram pelo menos 669 mortos no país e quase 3 mil desaparecidos. Outras sete mortes foram confirmadas no Tibete, segundo dados divulgados neste sábado (29) pela Reuters. O governo nepalês, que inicialmente afirmou ter condições de conduzir as operações de busca, reconheceu que necessita de especialistas estrangeiros para resgates em túneis, identificação de corpos e recuperação da infraestrutura destruída.

A tragédia foi provocada pelo colapso de uma geleira no Himalaia. Uma corrente de água, pedras, gelo, lama e destroços avançou pelos rios da região fronteiriça, arrasando comunidades, pontes, estradas e usinas hidrelétricas. Os números permanecem provisórios e podem aumentar à medida que as equipes alcancem localidades isoladas.

De acordo com a Reuters, o governo esclareceu que não precisa de reforços para as buscas convencionais, realizadas principalmente pelas Forças Armadas e pelas equipes locais de emergência. A ajuda solicitada concentra-se em áreas nas quais o Nepal não possui equipamentos ou pessoal especializado em quantidade suficiente.

Entre as prioridades estão os trabalhos em túneis tomados pela lama, onde dezenas de pessoas podem estar presas. O país também pediu apoio para a realização de exames de DNA, conservação e identificação de corpos, instalação de pontes provisórias e recuperação de estradas, sistemas de energia e outras estruturas essenciais.

As operações de busca chegaram a ser interrompidas devido ao mau tempo, mas foram retomadas com o emprego de militares, helicópteros e drones. Mais de 3,7 mil pessoas já haviam sido retiradas das regiões atingidas, enquanto milhares de sobreviventes permaneciam em abrigos improvisados.

A Índia enviou uma equipe especializada em resgates dentro de túneis, além de equipamentos e suprimentos. A China também mobilizou técnicos e recursos para auxiliar nas buscas e na reconstrução das áreas próximas à fronteira tibetana.

Além da ajuda emergencial, o Nepal precisará de recursos bilionários para se recuperar. O ministro das Finanças, Swarnim Wagle, estimou em entrevista à Reuters que a reconstrução custará entre US$ 4 bilhões e US$ 5 bilhões — aproximadamente R$ 20,7 bilhões a R$ 25,9 bilhões.

Wagle ressaltou que o cálculo é preliminar, pois o levantamento dos prejuízos ainda está em andamento. Mesmo assim, a despesa poderá representar quase 10% da economia do país, que tem cerca de 30 milhões de habitantes.

A destruição representa um golpe especialmente grave para uma economia dependente do turismo, das remessas enviadas por nepaleses que trabalham no exterior e da geração hidrelétrica. Usinas responsáveis por mais de 12% da capacidade nacional de produção de eletricidade foram atingidas pelas águas, segundo a Reuters.

Apesar da dimensão dos danos, o governo acredita que os custos ficarão abaixo dos registrados depois do terremoto de 2015. Na ocasião, o Nepal necessitou de aproximadamente US$ 9 bilhões para reconstruir mais de meio milhão de residências e grande parte de sua infraestrutura. Quase 9 mil pessoas morreram naquele desastre.

A crise também ganha proporções humanitárias. Segundo a Associated Press, pelo menos 93 mil pessoas necessitam de assistência. O Unicef calcula que cerca de 17 mil crianças precisam urgentemente de abrigo, alimentos, água potável e atendimento médico.

Hospitais e necrotérios das regiões atingidas estão sobrecarregados. Diante do estado de decomposição de alguns corpos, as autoridades começaram a recolher amostras genéticas antes dos sepultamentos, para possibilitar a identificação posterior das vítimas.

As autoridades também monitoram lagos formados por barreiras de lama, pedras e gelo nas áreas mais elevadas. O eventual rompimento dessas estruturas poderia provocar novas inundações, razão pela qual comunidades permanecem evacuadas.

Enquanto as buscas prosseguem, o governo admite que ainda não é possível determinar a extensão completa das perdas humanas e econômicas. A reconstrução deverá exigir vários anos, financiamento externo e cooperação técnica internacional.

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