Brasília, 29/08/2026

EUA fecham acordo com a Venezuela e vão controlar 65 bilhões de barris de reservas de petróleo

O presidente Donald Trump anunciou um acordo que poderá conceder aos Estados Unidos o controle operacional majoritário sobre 17 campos de petróleo da Venezuela, com reservas comprovadas estimadas em mais de 65 bilhões de barris. O republicano classificou a iniciativa como o “maior acordo petrolífero da história”.

De acordo com a Associated Press, o entendimento prevê a criação de uma empresa privada formada pelos Estados Unidos e por uma companhia operadora ainda não identificada. Essa sociedade teria direitos de exploração dos campos venezuelanos por um período de até 100 anos.

Os Estados Unidos ficariam com uma participação operacional de 55%, garantindo o controle majoritário do empreendimento. Isso não significa, entretanto, que o petróleo passará formalmente a ser propriedade do governo norte-americano. O acordo envolve direitos de exploração, produção e compra, enquanto as reservas continuam juridicamente pertencendo à Venezuela.

Trump afirmou que os EUA poderão comprar o petróleo pelo preço de custo. Segundo a Reuters, o objetivo é garantir um fornecimento regular, reduzir os preços dos combustíveis e recompor a Reserva Estratégica de Petróleo norte-americana.

Dados do Departamento de Energia mostram que a reserva estratégica caiu para aproximadamente 290 milhões de barris, o menor volume desde 1982. A redução ocorreu enquanto o governo utilizava os estoques para compensar dificuldades de abastecimento e conter a alta dos preços.

As negociações foram conduzidas pelo secretário de Estado, Marco Rubio, e pelo secretário de Defesa, Pete Hegseth, com a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez. Segundo informações divulgadas pelo governo venezuelano e reproduzidas pela Associated Press, o projeto poderá atrair US$ 100 bilhões em investimentos privados e gerar mais de US$ 209 bilhões em tributos para Caracas.

Os 65 bilhões de barris representam pouco mais de 21% das reservas venezuelanas, calculadas em aproximadamente 303 bilhões de barris. De acordo com a Administração de Informação de Energia dos Estados Unidos, citada pela AP, a Venezuela possui cerca de 17% das reservas mundiais conhecidas.

Apesar dessa riqueza, o país responde por aproximadamente 1% da produção global. A baixa produtividade é atribuída à deterioração da infraestrutura, à falta de investimentos, às sanções econômicas e à insegurança jurídica enfrentada pelas empresas estrangeiras.

Os campos incluídos no acordo estão localizados principalmente na Faixa Petrolífera do Orinoco e na região do Lago de Maracaibo. A Reuters informou que a Chevron também negocia a ampliação de suas atividades no país e poderá assumir maior controle operacional sobre projetos anteriormente divididos com a estatal PDVSA.

A companhia norte-americana pretende expandir o empreendimento Petropiar, produtor de petróleo pesado, e incorporar novas áreas na Faixa do Orinoco. Outras empresas estrangeiras também poderão migrar seus contratos para o novo modelo aprovado pelo governo venezuelano.

O acordo foi anunciado em um momento de pressão sobre Trump para reduzir os preços dos combustíveis. Conforme a Associated Press, o galão da gasolina chegou a uma média de US$ 4,09 nos Estados Unidos, ante US$ 3,21 no mesmo período do ano anterior.

A alta está relacionada, entre outros fatores, às dificuldades no fornecimento internacional provocadas pela guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã. A redução do fluxo de petróleo através do Estreito de Ormuz, por onde circulava cerca de 20% do petróleo mundial, aumentou a preocupação com o abastecimento.

O petróleo venezuelano é particularmente importante para os Estados Unidos porque várias refinarias instaladas na costa do Golfo foram construídas para processar óleo pesado. Segundo a Reuters, aproximadamente metade da atual produção da Venezuela já está sendo exportada para o mercado norte-americano.

O anúncio também consolida a influência dos Estados Unidos sobre Caracas após a operação militar norte-americana que capturou e retirou Nicolás Maduro do poder, em janeiro de 2026. Maduro foi levado aos EUA para responder a acusações federais de narcoterrorismo e tráfico de drogas.

A Associated Press descreve a ação como uma operação para capturar e transportar Maduro aos Estados Unidos. Já críticos do governo Trump e setores venezuelanos classificam o episódio como sequestro e violação da soberania do país.

Após a queda de Maduro, a presidente interina Delcy Rodríguez promoveu mudanças na legislação para ampliar a participação privada na indústria petrolífera. A medida reverte parte da política de controle estatal adotada durante os governos de Hugo Chávez e do próprio Maduro.

Apesar do entusiasmo de Trump, permanecem dúvidas sobre a execução do acordo. A Reuters observou que o governo norte-americano divulgou poucos detalhes sobre a estrutura da sociedade, as empresas participantes e os mecanismos de controle dos campos.

Também existem questionamentos jurídicos e constitucionais na Venezuela. A legislação do país historicamente reserva ao Estado o controle sobre os recursos naturais, o que poderá provocar contestações contra contratos com duração de 100 anos e participação majoritária estrangeira.

Executivos do setor petrolífero demonstram cautela porque serão necessários anos e dezenas de bilhões de dólares para recuperar poços, oleodutos, refinarias e terminais. A infraestrutura deteriorada impede que o anúncio produza um aumento imediato da oferta.

O acordo, portanto, não transfere diretamente 65 bilhões de barris para o patrimônio dos Estados Unidos. Ele concede a uma sociedade controlada majoritariamente pelos norte-americanos direitos de exploração e produção sobre campos que contêm esse volume estimado.

Na prática, a iniciativa amplia profundamente a presença econômica e estratégica de Washington na Venezuela. Os resultados para os preços dos combustíveis e para a economia venezuelana, contudo, dependerão dos investimentos, da segurança jurídica e da capacidade de recuperar uma indústria petrolífera enfraquecida por décadas de crise.

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