O ex-comandante da Força Aérea Brasileira, brigadeiro Carlos de Almeida Baptista Junior, classificou como “leviandade” a acusação do senador Flávio Bolsonaro (PL) de que estaria pedindo votos para a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A informação é da CNN Brasil.
Durante sabatina na TV Globo, Flávio tentou desqualificar os depoimentos de Baptista Junior e do ex-comandante do Exército, general Marco Antônio Freire Gomes, usados no processo que resultou na condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado. O candidato afirmou que o brigadeiro seria uma pessoa “completamente parcial” por supostamente apoiar Lula.
Baptista Junior respondeu nas redes sociais que a acusação teria sido uma forma de Flávio evitar a pergunta sobre as pressões para que as Forças Armadas apoiassem uma ruptura institucional depois da derrota de Bolsonaro nas eleições de 2022. Para o militar, a reação do senador pode ser compreendida na condição de filho, mas não na de alguém que pretende presidir o país.
Em entrevista à CNN, o brigadeiro negou que seu livro “Eu disse NÃO: uma trincheira antigolpista”, com lançamento previsto para setembro, seja um instrumento eleitoral. Segundo ele, a resposta de Flávio parece ter sido preparada para “agradar sua bolha”.
Baptista Junior declarou que analisa tanto Bolsonaro quanto Lula com imparcialidade e afirmou ser crítico dos populismos. No livro, ele relata as discussões ocorridas no governo após as eleições de 2022 e sustenta que a tentativa de ruptura não avançou porque não contou com apoio unânime dos comandantes das Forças Armadas.
O ex-comandante da FAB também afirma ter presenciado Freire Gomes advertir Bolsonaro de que poderia prendê-lo caso adotasse alguma medida de exceção. Em contraste, segundo o brigadeiro, o então comandante da Marinha, almirante Almir Garnier, teria colocado suas tropas à disposição do então presidente.
Baptista Junior ainda criticou Rogério Marinho (PL-RN), coordenador-geral da campanha de Flávio, por declarações dirigidas a setores da direita que não integram o grupo bolsonarista. O brigadeiro recomendou “menos” ao senador e recordou o episódio em que Fernando Collor convocou a população a enfrentar os “caras-pintadas”.


