Brasília, 08/09/2026

Merz admite responsabilidade por derrota histórica da CDU na Alemanha

O chanceler alemão Friedrich Merz reconheceu que sua baixa popularidade contribuiu para a derrota histórica da União Democrata Cristã (CDU) nas eleições regionais da Saxônia-Anhalt. A declaração foi dada nesta segunda-feira (7), após a legenda conservadora ser amplamente superada pela Alternativa para a Alemanha (AfD), segundo informações da Deutsche Welle.

A AfD conquistou aproximadamente 44% dos votos e consolidou o avanço da extrema direita no leste do país. A CDU, partido de Merz, obteve pouco mais de 17%, seu pior resultado na região desde a reunificação alemã.

Após reuniões com dirigentes da legenda em Berlim, Merz afirmou estar “profundamente chocado” e admitiu ter sido um dos principais temas da campanha regional. Para o chanceler, o alcance da derrota ultrapassa as fronteiras da Saxônia-Anhalt e altera o cenário político de toda a Alemanha.

Merz declarou que o resultado terá consequências, mas não antecipou quais medidas serão adotadas. A dimensão do revés deve provocar uma discussão interna na CDU sobre a condução do governo federal e a estratégia utilizada para conter o crescimento da extrema direita.

O partido conservador tentou endurecer algumas de suas posições, principalmente na área da imigração, mas não conseguiu impedir a transferência de eleitores para a AfD. Ao mesmo tempo, a aproximação do discurso conservador com temas explorados pela extrema direita pode ter ajudado a legitimar a agenda de seus adversários.

A derrota também aumenta a pressão sobre o chamado “cordão sanitário”, acordo político informal pelo qual os partidos tradicionais alemães se recusam a formar alianças com a AfD. Quanto maior se torna a bancada da extrema direita, mais difícil fica construir maiorias parlamentares sem sua participação.

A eleição revelou, portanto, dois movimentos simultâneos: o enfraquecimento de Merz e a consolidação da AfD como alternativa concreta de poder. O desafio do chanceler será recuperar a confiança dos eleitores sem incorporar integralmente a agenda radical do partido que pretende combater.

Mais do que um revés estadual, o resultado da Saxônia-Anhalt representa uma advertência para o governo federal. A extrema direita deixou de ser apenas uma força de protesto e passou a disputar efetivamente o comando das instituições alemãs. A crise da CDU, por sua vez, pode ter consequências para toda a Europa, já que a Alemanha exerce papel central na condução política e econômica da União Europeia.

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