Brasília, 13/09/2026

Maioria dos eleitores do DF rejeita privatização do Metrô, aponta Quaest

A privatização do Metrô do Distrito Federal é rejeitada por 60% dos eleitores, segundo pesquisa Quaest divulgada nesta quinta-feira (10). Outros 32% defendem a transferência do sistema para a iniciativa privada, enquanto 8% não souberam ou preferiram não responder. Os dados foram publicados pelo jornal Brasília Agora.

O resultado mostra uma clara preferência pela manutenção do controle público do transporte metroviário. O levantamento surge em um momento de crescente insatisfação dos passageiros com falhas, interrupções e problemas operacionais registrados nos últimos meses.

A situação do Metrô também entrou definitivamente na campanha eleitoral. A ampliação das linhas, a compra de novos trens e a modernização das estações aparecem entre as principais promessas dos candidatos ao Governo do Distrito Federal.

Candidata à reeleição, a governadora Celina Leão (PP) adotou posição semelhante à da maioria dos entrevistados. Ela afirmou que “este não é o momento” de privatizar o sistema e defendeu investimentos públicos para melhorar o atendimento à população.

O governo anunciou uma nova licitação destinada à modernização do Metrô. Celina também mencionou a preparação de uma concorrência internacional, estimada em quase R$ 1 bilhão, para a compra de novos trens.

A rejeição à privatização é mais acentuada entre as mulheres e alcança seu maior índice entre os eleitores de 16 a 24 anos. Os dados indicam que mesmo os passageiros mais jovens, tradicionalmente mais abertos a mudanças nos serviços públicos, preferem que o sistema permaneça sob controle estatal.

O debate sobre o modelo de administração do Metrô, porém, vai além da divisão entre gestão pública e privada. Em diferentes países, sistemas ferroviários urbanos funcionam com estruturas variadas de financiamento, propriedade e operação.

Nos Estados Unidos, os metrôs são normalmente administrados por autoridades estaduais, municipais ou regionais, com recursos provenientes dos governos federal, estaduais e locais, além das tarifas e da publicidade.

No Japão, há forte participação empresarial, mas o poder público mantém presença relevante. A Tokyo Metro, por exemplo, tem ações negociadas na Bolsa de Tóquio, mas os governos nacional e metropolitano continuam como acionistas importantes.

Na Europa, também existem diferentes modelos. Em Paris, o poder público define tarifas, planejamento e financiamento, enquanto empresas contratadas podem executar parte da operação. Em Londres, o sistema é administrado pela Transport for London, ligada ao governo local. Em Berlim, a empresa responsável pelo transporte pertence integralmente ao Estado.

No Distrito Federal, o resultado da Quaest indica que qualquer proposta de privatização encontrará forte resistência popular. Para a maioria dos eleitores, a prioridade não é mudar o controle do Metrô, mas ampliar a rede, renovar os trens e melhorar a qualidade do serviço oferecido aos passageiros.

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