Brasília, 05/10/2026

Bolsa bate recorde e dólar cai após vantagem de Flávio

O Ibovespa ultrapassou os 200 mil pontos pela primeira vez e o dólar caiu abaixo de R$ 5 nesta segunda-feira (5), em reação à vantagem de Flávio Bolsonaro (PL) sobre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no primeiro turno. Os juros futuros também recuaram fortemente, refletindo a expectativa dos investidores de maior controle das contas públicas num eventual governo do candidato do PL.

Segundo a Reuters, em reportagem publicada pelo SBT News, o mercado reagiu aos 47,03% dos votos válidos obtidos por Flávio, contra 45,16% de Lula. Os dois disputarão o segundo turno em 25 de outubro. Entre os investidores, ganhou força a avaliação de que uma vitória do senador poderia favorecer medidas de contenção de gastos e abrir espaço para juros mais baixos.

Às 11h21, o Ibovespa subia 7,55%, aos 206.610 pontos, com valorização disseminada das ações. Petrobras avançava 5,45%, Bradesco tinha alta de 12,95% e Magazine Luiza disparava mais de 26%, beneficiado pela perspectiva de redução dos juros. Esses números retratavam o movimento durante a manhã, e não o fechamento do pregão.

No câmbio, o dólar voltou a ser negociado abaixo de R$ 5 pela primeira vez desde 18 de maio. Na sexta-feira anterior, a moeda norte-americana havia encerrado o dia cotada a R$ 5,2173.
A reação também atingiu os juros futuros. Às 11h24, a taxa do contrato de DI para janeiro de 2035 caía 1,26 ponto percentual, para 12,875% ao ano. Já o contrato para janeiro de 2028 recuava 0,83 ponto, para 12,68%. O movimento expressava uma redução das taxas esperadas pelo mercado, sem representar uma mudança imediata da Selic.

O fortalecimento do PL no Congresso contribuiu para o otimismo. A avaliação é que uma eventual Presidência de Flávio, acompanhada de bancadas conservadoras mais fortes, poderia facilitar reformas e medidas fiscais.

O estrategista-chefe da Krivo Capital, Marco Saravalle, ponderou, porém, que a sustentabilidade da alta dependerá da capacidade de transformar expectativas em resultados. Ele também observou que um Congresso de direita não necessariamente apoiará medidas de rigor fiscal.

Apesar da euforia, permanecem riscos econômicos, como os efeitos da guerra no Oriente Médio sobre os combustíveis e as pressões inflacionárias associadas ao El Niño. A reação desta segunda-feira traduz uma aposta dos investidores no cenário político, enquanto a Presidência continua em disputa.

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