Brasília, 16/10/2026

Protestos contra Milei cobram verbas para universidades e terminam em confronto

 Milhares de estudantes, professores e trabalhadores foram às ruas na Argentina na quinta-feira (15) para cobrar do presidente Javier Milei o cumprimento da Lei de Financiamento Universitário. Em Buenos Aires, a mobilização terminou em confrontos nos arredores do Congresso, com lançamento de pedras, uso de gás lacrimogêneo e jatos de água pela polícia. Também houve manifestações em Córdoba e Rosário.

A chamada Quinta Marcha Federal Universitária reuniu, além da comunidade acadêmica, sindicatos, aposentados, organizações sociais e partidos de oposição. A principal reivindicação é a recomposição dos salários, das bolsas estudantis e dos recursos de funcionamento das universidades públicas. Os manifestantes denunciam que os reajustes concedidos pelo governo não compensam as perdas provocadas pela inflação.

A legislação foi aprovada pelo Congresso em agosto de 2025, vetada por Milei e posteriormente confirmada pelos parlamentares, que derrubaram o veto presidencial. Segundo a AFP, decisões judiciais também determinaram sua aplicação. O conflito se prolonga porque o governo contesta a execução da lei, enquanto as instituições cobram o pagamento dos valores previstos.

O Executivo argumenta que a legislação não especifica a origem dos recursos necessários para financiar as despesas. Conforme a AFP, o porta-voz presidencial, Adrián Ravier, afirmou que a norma está suspensa enquanto o governo recorre à Justiça. As universidades rejeitam essa interpretação e acusam a administração de descumprir obrigações legais.

O impacto dos cortes aparece nos números apresentados pelas instituições. De acordo com estudo do Centro de Pesquisa de Economia Nacional da Universidade de Buenos Aires, citado pela AFP, os recursos destinados às universidades caíram 40,5% em termos reais entre o primeiro semestre de 2023 e o mesmo período de 2026.

Autoridades da Universidade de Buenos Aires estimam que os professores perderam cerca de 30% do poder de compra dos salários durante o governo Milei, segundo a Reuters. A instituição, que reúne mais de 300 mil estudantes, participou da convocação da marcha. Docentes relatam dificuldades para permanecer na carreira e necessidade de acumular empregos.

Em Buenos Aires, os incidentes começaram antes do ato principal. Segundo a agência EFE, um pequeno grupo de encapuzados danificou equipamentos urbanos e lançou objetos contra as grades de proteção do Congresso. A polícia respondeu com gás lacrimogêneo e canhões de água, atingindo também estudantes, professores e famílias que participavam pacificamente da manifestação.

A emissora argentina TN informou um balanço provisório de 31 detidos e oito policiais feridos. A EFE relatou que um cinegrafista do canal C5N foi agredido ao abordar um dos envolvidos nos tumultos. Imagens de televisão também mostraram uma manifestante atingida na cabeça por uma cápsula de gás disparada pelas forças de segurança.

A ministra da Segurança, Alejandra Monteoliva, responsabilizou grupos violentos pelos confrontos e afirmou que pretendiam impor o caos. Participantes ouvidos pela imprensa argentina, por sua vez, denunciaram repressão indiscriminada. A divergência sobre a atuação policial se somou ao conflito político em torno dos cortes e da obrigação de cumprir a lei.

A mobilização amplia a pressão sobre Milei em uma área sensível de seu programa de austeridade. No documento apresentado durante o ato, conforme a TN, os organizadores também criticaram o Orçamento de 2027 e advertiram que as universidades correm o risco de não conseguir sustentar suas atividades no próximo ano.

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