O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) prometeu manter o fim da escala de trabalho 6×1, afirmou que pretende exercer apenas um mandato e disse ter sido surpreendido pelas investigações envolvendo aliados no Rio de Janeiro. As declarações foram dadas nesta sexta-feira (16), em entrevista à jornalista Renata Lo Prete, da TV Globo, conforme reportagem do g1.
Questionado sobre a mudança de posição em relação à jornada de trabalho, antes criticada por ele, Flávio afirmou que decidiu apoiar o fim da escala após ouvir trabalhadores durante a campanha. Também negou que pretenda reverter a medida ou apoiar iniciativas de aliados para modificar a decisão do Congresso.
Na economia, o candidato declarou que pretende preservar o reajuste do salário mínimo pela inflação, manter a vinculação das aposentadorias e conservar os pisos de gastos com saúde e educação. Para equilibrar as contas, propôs cortar pelo menos dez ministérios, combater a corrupção e reduzir problemas de gestão nas estatais.
Flávio também defendeu antecipar receitas de dívidas que a União tem a receber. Segundo sua estimativa, a operação poderia acrescentar mais de R$ 200 bilhões anuais ao orçamento. O candidato citou ainda os royalties do petróleo como fonte de recursos.
Sobre a permanência no poder, reafirmou ser favorável ao fim da reeleição para presidente e governadores. Disse que não apoiaria mudanças para permitir que familiares o sucedessem e deixou ao Congresso a discussão sobre uma eventual ampliação do mandato de quatro para cinco anos.
O financiamento do filme sobre Jair Bolsonaro foi outro ponto da entrevista. Questionado sobre os R$ 134 milhões solicitados ao banqueiro Daniel Vorcaro e o custo de R$ 75 milhões da produção, Flávio respondeu que o contrato não foi integralmente cumprido e que a obra foi concluída com recursos do empresário e de outros investidores.
Ao tratar dos quase R$ 70 milhões que, segundo a pergunta apresentada na entrevista, foram transferidos por Vorcaro a um fundo nos Estados Unidos, o senador afirmou que a produtora brasileira prestou contas dos gastos. Sustentou que o financiamento era privado e negou ter oferecido contrapartidas relacionadas ao mandato.
Na discussão sobre o Judiciário, Flávio defendeu o impeachment do ministro Alexandre de Moraes, a quem acusou de atuação político-partidária e perseguição a adversários. Questionado sobre suspeitas envolvendo o ministro Kassio Nunes Marques e Vorcaro, afirmou que ele também deveria ser investigado.
O candidato disse ter ficado surpreso com as revelações envolvendo aliados fluminenses, entre eles o deputado estadual Márcio Canella, o ex-presidente da Assembleia Legislativa Rodrigo Bacellar e o ex-governador Cláudio Castro. Defendeu o direito de defesa, mas afirmou que eventuais crimes devem ser punidos.
Sobre os ataques de 8 de janeiro, classificou a depredação dos prédios públicos e as agressões a policiais como inaceitáveis. Apesar disso, questionou a caracterização dos episódios como tentativa de golpe. Ao ser perguntado sobre a eleição, declarou que respeitará o resultado das urnas.
Flávio afirmou ainda que um cargo para Jair Bolsonaro em seu eventual governo “não está no radar” e descartou nomear o irmão Eduardo Bolsonaro para o Ministério das Relações Exteriores. Negou também que o pai tenha interferido na Polícia Federal para proteger familiares.Na segurança pública, defendeu facilitar o acesso a armas para quem cumprir os requisitos legais, mas não explicou quais seriam os benefícios de retirar a marcação de munições compradas pelas forças de segurança. Propôs ainda reunir comandantes militares e chefes das polícias estaduais para uma ofensiva contra o narcotráfico, com atuação das Forças Armadas nas fronteiras.
Na saúde, prometeu autonomia ao médico Cláudio Lottenberg, anunciado para comandar a pasta caso seja eleito. Entre as propostas, citou ampliar a telemedicina e criar um prontuário eletrônico único para integrar informações das redes pública e privada.
Debate da Globo
O próximo debate entre Lula e Flávio Bolsonaro na TV Globo está marcado para 23 de outubro, dois dias antes do segundo turno. O encontro será realizado nos Estúdios Globo, no Rio de Janeiro, com mediação do jornalista César Tralli e transmissão ao vivo após o Jornal Nacional, também pela GloboNews e pelo g1.
